A União Europeia aprovou hoje a nacionalização do banco britânico Northern Rock, bem como a criação de um novo banco para agregar os seus activos tóxicos, que, de outra forma, de acordo com a versão oficial, comprometeriam a sobrevivência do NR.
Segundo o léxico em vigor, absorvido pela grande maioria, nacionalizar prejuízos, forçando a solidariedade de todos os contribuintes para com gestões ruinosas ou delinquentes, é “responsabilidade”. Mas a coisa muda de figura quando se trate da nacionalização de lucros que poderiam canalizar-se para financiar melhores serviços públicos e ampliar a cobertura das protecções sociais. Nesse caso, estamos perante “extremismo” de esquerda, ou, se preferirem, diante do “radicalismo” mais canhoto. E o mais curioso é que quem paga a dita “responsabilidade”, os mesmos que beneficiariam com o dito “radicalismo”, aceitam mais facilmente sentir no bolso o peso de ser “responsáveis pelo que não fizeram do que apoiarem um “radicalismo” que, simultaneamente, lhes aliviaria o mesmo bolso sobrecarregado por tanta responsabilidade e proporcionaria melhorias na qualidade de vida nas sociedades em que vivem. Toda a gente sabe que o Estado é um papão de primeira categoria.

3 comentários:
E há também, naturalmente, quem seja contra a nacionalização das empresas que dão lucros E das que dão prejuízos.
Os Estados não têm sido bons gestores. Infelizmente também não têm sido bons reguladores nem fiscalizadores.
Mas há países onde as empresas nacionalizadas são bem geridas. A boa gestão não depende da sua natureza pública ou privada.
Então o problema somos nós, portugueses.
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