quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O papão dos papados

A União Europeia aprovou hoje a nacionalização do banco britânico Northern Rock, bem como a criação de um novo banco para agregar os seus activos tóxicos, que, de outra forma, de acordo com a versão oficial, comprometeriam a sobrevivência do NR.
Segundo o léxico em vigor, absorvido pela grande maioria, nacionalizar prejuízos, forçando a solidariedade de todos os contribuintes para com gestões ruinosas ou delinquentes, é “responsabilidade”. Mas a coisa muda de figura quando se trate da nacionalização de lucros que poderiam canalizar-se para financiar melhores serviços públicos e ampliar a cobertura das protecções sociais. Nesse caso, estamos perante “extremismo” de esquerda, ou, se preferirem, diante do “radicalismo” mais canhoto. E o mais curioso é que quem paga a dita “responsabilidade”, os mesmos que beneficiariam com o dito “radicalismo”, aceitam mais facilmente sentir no bolso o peso de ser “responsáveis pelo que não fizeram do que apoiarem um “radicalismo” que, simultaneamente, lhes aliviaria o mesmo bolso sobrecarregado por tanta responsabilidade e proporcionaria melhorias na qualidade de vida nas sociedades em que vivem. Toda a gente sabe que o Estado é um papão de primeira categoria.

3 comentários:

Gi disse...

E há também, naturalmente, quem seja contra a nacionalização das empresas que dão lucros E das que dão prejuízos.
Os Estados não têm sido bons gestores. Infelizmente também não têm sido bons reguladores nem fiscalizadores.

Filipe Tourais disse...

Mas há países onde as empresas nacionalizadas são bem geridas. A boa gestão não depende da sua natureza pública ou privada.

Gi disse...

Então o problema somos nós, portugueses.