quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Venha a nós

Depois dos lay-offs em Braga e do anunciado despedimento de 500 trabalhadores na fábrica da Guarda, a Delphi tornou oficial a sua decisão de encerrar a unidade de Ponte de Sor, empurrando cerca de 430 pessoas para o desemprego. A fabricante de componentes norte-americana tinha já anunciado o fecho da fábrica no ano passado, mas reafirmou agora a sua decisão, tomada em função do fracasso das negociações com os trabalhadores, que não aceitaram as reduções salariais que lhes foram propostas por administradores que auferem mais de cem mil euros ao ano. O preço do factor trabalho em Portugal é, realmente, um problema. E as confederações patronais, que ultimamente se têm insurgido contra o exagero de um aumento de 25 euros no salário mínimo, objecto de um acordo que também assinaram, alertam para a necessidade extrema da manutenção das ajudas estatais pelo menos até 2011. Sem pudor, "contrapartida" continua uma palavra proibida nesta lógica de lucros trituradores de salários e de direitos.

7 comentários:

psergio57 disse...

Quando se ouvem os Van Zellers e Césares das Neves deste País ressalta, aos ouvidos do mais desatento, um discurso em que resulta claro terem perdido o medo de exprimirem a sua mundovisão reaccionária: a defesa de uma elite endinheirada, cujos privilégios e lucros devem ser mantidos a todo o custo (de preferência com a ajuda do Estado), a cavalgar um exército de mão de obra barata, precária e cada vez mais fragilizado nos seus direitos. O trágico é que a passividade desse exército, face ao descalabro que gente como eles provocaram, lhes permite isso.

Anónimo disse...

A delphi, tal como outras Empresas que já abandonaram Portugal e outras que o irão fazer infeliz e inevitavelmente são o resultado da "Globalização Selvagem" em que nos meteram e de que o PS e PSD são os melhores apioantes no nosso país e por issão são també responsáveis pelos resultados. Aconselho a que leia o meu comentário, que coloquei, aliás, em vários sítios na net:

http://denvolvimentoregionalelocal.blogs.sapo.pt/9307.html

Zé da Burra o Alentejano

Gi disse...

Há pequenas empresas geridas com contenção, com margens de lucro tão pequenas que aumentar salários é impossível.

Há empresas a falir todos os dias, não porque os seus gestores sejam más pessoas, mas porque os seus clientes não lhes pagam.

E também há outras que pagam bónus aos administradores mesmo quando têm prejuízos.

Helena Santos disse...

Mas se as margens são assim tão pequenas, será que faz sentido que essas empresas existam? Baixar salários é mais fácil. Existem outros custos... sem famílias para sustentar.

Gi disse...

Helena, se deixarem de existir são mais uns quantos trabalhadores no desemprego, e mais uns fornecedores que deixam de ter cliente.

Hélder disse...

E se forem mais 25 euros será mais consumo e mais vendas. Quem não ganha o salário mínimo pode opinar à vontade sobre a fome e a miséria dos outros. Coitadinhos dos empesários que têm que ter lucros. Baixar salários é sempre a solução mais fácil e insistir nela é eternizar o adiamento de outras soluções e prolongar o nosso atraso estrutural. Nunca vamos poder competir com a China.

Anónimo disse...

A "Globalização", tal como foi concebida, vai determinar a derrocada económica do ocidente que passará para segundo plano e será ultrapassado pelas as novas superpotências que a globalização ajudou a criar: a China, a Índia e outros países. O Ocidente caiu na armadilha da globalização que interessava às grandes Companhias que pretendiam aproveitar-se dos baixos custos de produção no oriente. Todos sabem que o custo da mão de obra é insignificante no valor dos bens aí produzidos, em virtude dos baixos salários e da inexistência de quaisquer obrigações sociais. Os países ocidentais perderam a aposta quando aceitaram a "globalização selvagem" sem exigirem aos países do oriente que prestassem às suas populações melhores condições sociais, como: regras laborais justas, melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice. A única alternativa será a de nivelar os salários e as condições sociais no ocidente pelas do oriente e é a isso que estamos a assistir neste momento, enquanto algumas empresas não resistem à concorrência e fecham as portas para sempre, outras estão a deslocar-se para oriente para assegurar a sua própria sobrevivência, o que provocará o desemprego e o definhar da economia ocidental em favor do Oriente. Quanto aos trabalhadores, será que vão aceitar trabalhar a troco de um ou dois quilos de arroz por dia sem direito a descanso semanal, sem férias, sem reforma na velhice, etc...? Não! por isso o ocidente está já a iniciar um penoso caminhar em direcção ao caos: a indigência e o crime mais ou menos violentos irão crescer e atingir níveis inimagináveis apenas vistos em filmes de ficção que nos põem à beira do fim dos tempos como consta nos escritos bíblicos. Para desincentivar a deslocalização de empresas estão a ser-lhes dadas facilidades fiscais e de isenção nas contribuições para a Segurança Social, as quais serão cada vez mais pagas apenas pelos assalariados, pequenos comerciantes e pequenos industriais. Mas isso não será suficiente para evitar as deslocalizações nem para financiar a SS com necessidades acrescidas. A democracia só é viável se existir uma classe média assegure a manutenção do sistema económico; sem ela como esperam os políticos manter-se no poder? Como vão convencer os trabalhadores escravizados a votar neles? Será com o apoio de criminosos e outros marginais? Será que vão conseguir enganar a maioria dos trabalhadores e convencê-los de que a miséria é boa pra eles?
Finalmente, quando tudo estabilizar o centro do mundo económico serão as novas economias do oriente e a época áurea do ocidente pertencerá ao passado.
O terceiro mundo será então aqui, e, em breve, as ruas encher-se-ão por cá de grupos de salteadores desesperados, sobrevivendo à custa do saque. Com o declínio da classe média, haverá os ricos (alguns à custa do crime violento e/ou económico), que habitarão autênticas fortalezas protegidas por todo o tipo de protecções e que apenas sairão rodeados por guarda-costas dispostos a matar ou a morrer pelo seu “senhor”; e os pobres, uma enorme mole de gente desocupada de mendigos e de salteadores lutando pela sobrevivência a todo o custo e cuja protecção apenas poderá ser conseguida agrupando-se, pois as ruas serão dominadas pelos marginais, ficando as polícias confinadas aos seus espaços próprios e reservadas para reprimir as “explosões” sociais que possam surgir.
Os políticos, desonestamente, para justificarem o corte de regalias sociais, continuarão a lamentar a redução da "natalidade", num discurso perverso que não relaciona o desemprego como futuro mais que provável para as novas gerações, até porque a intervenção humana será cada vez mais desnecessária à produção face às novas tecnologias. E não havendo uma melhor repartição da riqueza, não há a possibilidade de grande aumento em ocupações alternativas, como, lazer, saúde, etc.
PS e PSD são os dois fiéis representantes em Portugal desta política. de "Globalização", por isso não podem enjeitar os resultados que estão a surgir.

Zé da Burra o Alentejano