segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Dos grandes para os pequenos

Os portugueses quiseram que as eleições de hoje funcionassem como o imposto sobre as grandes fortunas e tributaram fortemente PS e PSD. Beneficiaram da redistribuição de votos os partidos mais pequenos, que, mais ou menos, cresceram todos.

O PS comemorou uma “
extraordinária vitória” que incluiu, entre outras, a perda de mais de 500 mil votos, mais de 20 deputados e a maioria absoluta.

Sem nada para comemorar esta noite, apesar de ter conquistado mais 6 mandatos e 6 mil votos que há quatro anos, o PSD voltou a comemorar a vitória das últimas europeias e, à semelhança do que vinha a fazer antes das legislativas, antecipou uma estrondosa vitória nas autárquicas que abrirá caminho
a uma nova liderança.

O
Bloco de esquerda, apesar de durante toda a campanha ter sido o alvo a abater pelos média, obteve a maior votação de sempre e superou largamente a fasquia do meio milhão de votos. Duplicou o número de deputados eleitos e triplicou o número de círculos eleitorais com deputados eleitos. Perdeu deputados para o CDS em vários círculos por escassas centenas de votos.

Embora menos,
a CDU aumentou a sua votação e o número de mandatos. Um dado muito importante, uma vez que, da soma com os deputados eleitos pelo Bloco de Esquerda, se desfez a maioria que bloqueou a fiscalização da constitucionalidade de diplomas tão importantes como o Código do Trabalho e toda a legislação relativa às carreiras da Administração Pública. Seguramente que todos eles serão agora devidamente apreciados.

E deixei propositadamente
o melhor resultado dos últimos 26 anos do CDS-PP para o fim. Subiu imenso, é agora a terceira força com maior representação parlamentar, a prova provada de que, em momentos de crise profunda como a que atravessamos, soluções securitárias e de retirada de apoios sociais aos mais pobres colhem enormes apoios. Mas não foi esta a razão porque deixei o CDS para o final. Foi, sim, a de que, com a composição que resultará das eleições de hoje, por um lado, aqueles que votaram no PS para salvar a esquerda – que ainda acreditam morar ali –, poderão vê-la agora coligada com a direita radical; e, da mesma forma, aqueles que votaram na direita radical para vencer a esquerda e o socialismo que preferem continuar a localizar no PS, poderão ver a honestidade do seu líder em todo o seu esplendor numa coligação com o inimigo da campanha. Sublinhe-se que, em ambos os casos, por uma questão das tais auto-atribuidas “responsabilidade política” e “sentido de Estado”, evidentemente. Para isso é que estas expressões foram inventadas. Há quem goste.

Da minha parte, regresso quando esta maldita gripe me deixar em paz. Queiram desculpar alguma imprecisão que possa haver no texto acima: para além de contente com o resultado de hoje, 39ºC e tal fazem de mim um dos homens mais quentes de Portugal.

(editado)

6 comentários:

joshua disse...

As melhoras.

Anónimo disse...

o PS elegeu 96 deputados, o PSD soma 78 parlamentares e o CDS-PP obtém 21 mandatos. O BE consegue 16 deputados e a CDU elege 15.
O PS contabiliza 2.068.665 votos, o que corresponde a 36,56% e soma 96 dos 226 deputados já eleitos.

O PSD, com 1.646.097 votos, obtém 29,09% e elegeu 78 parlamentares.

O CDS-PP, com 592.064 votos, alcança 10,46%, e alcança 21 deputados.

Segue-se o Bloco de Esquerda, com 557.109 votos (9,85%) e 16 deputados eleitos, e a CDU, com 446.174 votos (7,88%) e 15 parlamentares eleitos.

O PCTP-MRPP, com 52.633 votos (0,93%) é o primeiro dos pequenos partidos.

Em 2005, o PS obteve 45,03%, elegendo 121 deputados, enquanto o PSD alcançou 28,77% (75 mandatos). Seguiram-se a CDU (7,54% e 14 deputados), CDS-PP (7,24% e 12) e Bloco de Esquerda (6,35% e oito).

António de Almeida disse...

As suas melhoras caro Filipe.

Pai Natal disse...

Essa temperatura justifica uma ida ao médico.
As melhoras Filipe

Gi disse...

Votos de melhoras, Filipe.

Filipe Tourais disse...

Muito obrigado a todos. No centro de saúde a que fui já se notava o fim do períoddo eleitoral: o líquido desinfectante para as mãos já tinha acabado.