terça-feira, 18 de agosto de 2009

Na espuma dos dias

Em Julho, e apesar do efeito sazonal que o Verão tem sobre a criação de emprego, o número de desempregados inscritos no IEFP aumentou 1,4 por cento em relação ao mês de Junho e 30,1% em relação a Julho de 2008. Há agora 496.683 pessoas inscritas nos centros de emprego. Recorde-se que de Maio para Junho o número tinha subido, mas apenas 0,14 por cento, e que, mesmo como o desemprego a aumentar, tal foi o suficiente para proporcionar um festival de optimismo a governantes (e respectivo séquito) cuja incompetência os impede de esboçar as respostas políticas que se impunham a uma crise como a actual. Hoje, não obstante o novo trambolhão, o desemprego continua “a estagnar”. Mas não foi esta a notícia do dia.

Chegou a hora de pagar os mais de
1000 milhões de euros do negócio esconso dos submarinos encomendados por Durão Barroso e Paulo Portas. 1000 milhões que significam um agravamento de pelo menos 0,6 por cento no sacrossanto défice dos próximos anos, logo, mil milhões de euros a retirar à despesa social do mesmo período e mil milhões de euros a menos no combate à crise. Para se ter uma pequena ideia do que está aqui em jogo, até Junho, o Governo tinha gasto apenas 125,8 milhões no combate à crise. Cerca de um oitavo do que custaram os submarinos e também cerca de um oitavo do total previsto no seu “plano” de combate à crise. Mas também não foi esta a notícia do dia.

Para entreter, porque, à falta de melhor, é mesmo preciso entreter, alguém do PS lembrou-se de colocar na agenda mediática a virtualidade de que alguns assessores de Cavaco Silva estariam ou teriam participado na elaboração do programa do PSD. Não viria mal nenhum ao mundo se assim fosse, mas imediatamente alguém do PSD, ao mais alto nível, veio desmenti-lo (e redesmenti-lo, dois dias depois). E a notícia do dia tem precisamente que ver com as duas não notícias anteriores: a de que o clima psicológico que se vive no Palácio de Belém é de consternação e a da dúvida que se instalou ser agora a de saber se os serviços da Presidência da República estão sob escuta e se os assessores de Cavaco Silva estão a ser vigiados. Com a certeza de que o país não tem nada mais importante para debater, a dúvida reside entre se a conclusão de que estão a ser vigiados resultou da inexistência da colaboração defendida pelos dirigentes do PSD ou se da que os dirigentes do PS se lembraram de dizer que existiu mesmo. Ou das duas. Ou de outra esterilidade qualquer que entretanto inventem e a comunicação social decida destacar. Parece que o Michael Jackson continua por enterrar. Também daria uma excelente notícia do dia. O Ps e o PSD andam empenhados a debater as coisas importantes. Os portugueses podem bem descansar e entreter-se com o restante.

(editado)

2 comentários:

Anónimo disse...

Cá para mim isso tem a ver com o lobby do bolo rei, sem dúvida. O Sócrates não tem capacidades para vigiar os próprios membros do governo, quanto mais o pessoal da presidência.

Anónimo disse...

Realmente, este país está louco.