Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Deixem-nos trabalhar

Três meses depois da entrada em vigor do plano de combate à crise económica anunciado pelo Governo, apenas foram utilizados 12,8% do total apregoado, 125,1 milhões de euros. A maioria do investimento realizado ocorreu em Junho, mês em que se contabilizaram 82,8 dos 125,1 milhões de euros até agora investidos. Nos dois meses anteriores, apenas tinham sido executados 42,3 milhões de euros, 4,32 por cento do total. Tanta passividade ajudará a explicar que, pela primeira vez desde 1986, há 23 anos, este ano o número de desempregados não tenha descido em Junho. Um feito histórico, sem margem para dúvidas.

3 Puxões e esticões adicionais:

PreDatado disse...

Prepare-se para números assim. As eleições estão à porta.

antonio disse...

Sem duvida incompetência do Governo Socialista. Muita incompetência aliás.

Mas revela também a qualidade da oposição que pela cegueira do poder ou pelo desejo de insucesso do Governo faz tudo o que pode para não deixar governar.


Estes resultados revelam o falhanço colectivo da sociedade portuguesa.

Revela por exemplo que as nossas empresas continuam fragilizadas.

Revela que as leis laborais não são as melhores. Às vezes aquelas leis laborais que dizem defender muito o trabalhador são as que mais o prejudicam. Pois os empregos, os salários dignos e o progresso económico não se decretam. Constroiem-se numa permanente adapatção ao futuro. Futuro esse que não dominamos. E há quem pense que temos de ficar agarrados ao passado.


Revela por exemplo uma constituição construida em pleno Gonçalvismo que decretou o socialismo. Sem que defina o que entende por tal. Fazendo com que quem não pense desta maneira tenha um pensamento anticonstitucional.

Esquecendo-se que talvez metade dos votantes de hoje nem sequer tinham direito a voto na altura em que a constituição foi votada.

Revela os pessimos exemplos de um capitalismo selvagem que faz da excessiva riqueza pessoal e do lucro imediato o objectivo primordial. Sem olhar a meios.


Revela a mentalidade portuguesa que é mais do tipo : ainda hás de andar a pé como eu em vez de , um dia ainda hei de ter um carro igual ao teu.

Não sejamos demagogos. não culpemos apenas o Governo. Façamos um pouco de meaculpa num exercicio de honestidade intelectual.

Eu também tenho a minha dose de culpa.

Antonio

Filipe Tourais disse...

Caro António. Pois com a sua maldita Constituição é impossível que, com maioria absoluta, a oposição impeça um Governo de governar. Se o Governo não governou, a responsabilidade será apenas sua. E repare como decreta, apenas porque sim, que as legislações laborais que mais protejam o trabalho com direitos podem não ser as que mais beneficiam quem trabalha ou como será “governar para o futuro”. O futuro constrói-se com políticas, não se decreta, concordo consigo. O futuro poderá ser a construção de uma sociedade mais solidária e com menos desigualdades que produza riqueza para todos ou poderá ser também uma sociedade mais assimétrica,, que engorde as fortunas de alguns, poucos, que, quanto mais ricos forem, mais dinheiro e direitos terão a bondade de redistribuir pela base da pirâmide. Claro, se formos todos bem comportadinhos. Eu não acredito no Pai Natal e, como tal, torna-se óbvio o modelo que defendo. E por não embarcar nessas cantigas de mercado e de responsabilizar quem não tem responsabilidades e desculpabilizar quem carrega às costas o fardo de 35 anos de fracassos – PS, PSD e CDS -, não me sinto culpado, nem ao de leve, pela porcaria que se tornou este país.