Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Um freeport do nosso futuro

Ontem, numa daquelas cerimónias tão bonitas de lançamentos de primeiras pedras que sempre abundam antes de actos eleitorais, o secretário de Estado da Saúde garantiu que o processo é “irreversível”. Não se referiria nem à repetição sistemática da prática de ilegalidades de obras que avançam sem o necessário visto do Tribunal de Contas, nem ao apoio do seu partido a candidaturas autárquicas de forças aglutinadoras de processos na Justiça como Mesquita Machado, especialista em apedrejamentos daquela tipologia, nem à campanha eleitoral que ali fazia. Parece que falava mesmo do Hospital de Braga. Avançará mesmo, apesar de ilegal.

Recorde-se que a construção do futuro Hospital de Braga, que começou há cerca de seis meses, está a ser feita no âmbito de uma parceria público-privada com a José de Mello Saúde, que estará 10 anos à frente da gestão administrativa daquela unidade de saúde e 30 anos na sua manutenção. Curiosamente, a decisão de avançar para esta parceria público-privada foi tomada pelo Ministério de Ana Jorge na mesma semana que terminou a gestão do Grupo Mello no Hospital Amadora-Sintra, depois de 13 anos de escândalos e má gestão.

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