Sábado, 30 de Maio de 2009

A manifestação do saber ser

No total, os professores serão cerca de 140 mil. Apesar de terem estado 120 mil na rua em Novembro passado, cerca de 94 por cento da classe, o ME manteve a divisão da carreira docente em duas categorias, conforme estipulado no ECD, e não suspendeu a avaliação, como exigiam. A simplificação em vigor pode ser substituída pelo modelo original a qualquer momento, assim a conjuntura política o permita, os professores que recusarem a avaliação vão perder dois anos de progressão na carreira e só uma parte da classe poderá ascender aos escalões mais altos. Muitos cederam ao medo, outros não hesitaram em sacrificar o interesse da classe às suas ambições pessoais. Violaram o boicote promovido pelas organizações sindicais e entregaram os objectivos, desonrando a palavra dada e traindo os colegas que continuaram a lutar também por eles. Desmobilizaram.

A classe docente é hoje uma classe duplamente fracturada: pela divisão introduzida pelo Governo Sócrates e pela divisão ditada por cada comportamento individual. Os que se manifestarão hoje em Lisboa serão aqueles que se mantiveram fieis àquilo em que acreditam, homens que sabem ser homens e mulheres que sabem ser mulheres, que estão na Escola Pública a transmitir este saber raro nos dias que correm aos homens e mulheres de amanhã. Estarão
hoje nas ruas a ensiná-lo também ao país e aos colegas (?) de profissão que ficaram em casa.

1 Puxões e esticões adicionais:

Rui Fonseca (não docente) disse...

Muito bem escrito. A palavra dada e a justiça não se vendem por meia dúzia de tostões. Não se troca a dignidade por preço nenhum. O medo não pode fazer-nos deixar de ser gente em circunstância alguma. Isto aprende-se e isto ensina-se.