“As soluções que são apresentadas pelo Partido Comunista são conhecidas e levam-nos à Coreia do Norte e a Cuba, portanto, não nos interessam. O Bloco de Esquerda tem muitas propostas interessantes mas extremamente radicais e não é possível a meio de uma crise serem adoptadas”. Este foi o ponto de partida para o presidente da CIP, Francisco Van Zeller, expressar a sua especial preferência por um Governo de bloco central: as posições do PS “são conciliáveis com o PSD e, eventualmente, com o CDS” Já sabíamos. São três variações da sua. E seria extremamente radical abalar o seu modelo de enriquecimento baseado no trabalho precário, na erosão do Estado Social e nos salários baixos. Seria sobretudo doloroso. A porta de saída da crise – o resultado desse modelo perfeito - passaria por uma inversão do sentido desses dois pares de três vectores. Manter o primeiro, a hegemonia dos três partidos, assegura o segundo. E antes uma crise, por maior que ela seja, do que abdicar de um status quo que, mesmo apesar dos tempos difíceis para a maioria, até nem tem sido nada ávaro para com os sacrificados Van Zellers de todo o país. Ontem, porque os desafios de modernidade e o futuro mais risonho o exigiam, a continuidade cortou direitos e impôs sacrifícios. Hoje, como temos a crise, não devemos mudar nada. Amanhã, quando e se não tivermos a crise, nem se justificará falar no assunto. A fórmula da continuidade serve sempre, qualquer que seja a conjuntura. A estabilidade de uma maioria faz a felicidade de quase todos.
O poder (das excepções adaptações) caiu na rua nos conselhos de administração
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