quarta-feira, 29 de abril de 2009

Deformação para a cidadania

Vários meses depois de a ministra da Educação ter sido recebida com ovos, a Inspecção-Geral de Educação (IGE) foi ouvir os estudantes maiores de 16 anos da Escola Secundária de Fafe. Para tentar saber o quê? Coisas importantes para o país tais como quem é que se lembrou de fazer a manifestação, como é que os alunos souberam que a ministra ia a Fafe, se os professores deram aulas nesse dia, se Marcaram faltas a quem não esteve na sala, como é que os alunos saíram da escola e se estava algum funcionário à porta.

Os pais contestam a metodologia utilizada, que consideram estimular um comportamento denunciante, e já enviaram cartas ao PGR , ao Provedor de Justiça e aos grupos parlamentares. A IGE respondeu através de ofício onde assegura que
nada de ilegal ocorreu. É evidente que não. Nem todas as questões se reduzem à questão legal, muito menos quando quem incorre em práticas eticamente condenáveis tem nas mãos o poder de legilslar no sentido de tornar tudo legal. Desejavelmente, a escola pública seria um local onde se formariam cidadãos. E esta escola da denúncia, feita à imagem de quem pelos vistos cresceu muito pouco desde os tempos em que frequentou a escola da denúncia de então, pelo contrário, deforma quem está em idade de aprender a ser homem e a ser mulher.

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