O Presidente venezuelano ganhou o referendo de domingo que lhe permitirá recandidatar-se indefinidamente a partir de 2012. Assim que o resultado começou a tomar forma definitiva, uma maré humana de vermelho invadiu as ruas de Caracas. Outra, de cor bastante mais carregada, invadiu os media ocidentais, fazendo-se ouvir um coro de críticas a Hugo Chavez, “o louco”, “o ditador”, que submeteu a votos a sua pretensão de prolongar o seu mandato para lá dos 10 anos anteriormente fixados como limite máximo pela Constituição venezuelana. Terá a democracia europeia autoridade para criticá-lo? O Tratado de Lisboa foi aprovado por uma elite restrita e controlada, sem ir a votos. E no único país onde houve referendo, na Irlanda, porque o resultado foi um “NÃO” rotundo, a consulta popular quer-se repetida até que dela saia o resultado pretendido, sem que se ouvisse ninguém chamar louco ou ditador a ninguém. Imagine-se que do referendo venezuelano saía um não e Chavez decidia repeti-lo? Pois. Eu não sou adepto de Chavez, clarifico-o já. Mas na Europa não estamos melhor. Na Venezuela manda Chavez, assim o quiseram os venezuelanos. Na Europa mandará um directório, porque assim o quis o próprio directório. E a avaliação da democraticidade de um regime nunca por nunca será função do agrado ou desagrado que possam suscitar estilos pessoais mais exuberantes.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
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4 comentários:
Apesar de não partilhar o entusiasmo com os resultados da perpetuação de Chávez no Poder, admito que existem algumas questões relativamente ao governo da UE que são interessantes.
Abraço
É um facto. Mas tocaa na ferida: quem lê apenas os media ocidentais julga que o demónio desceu à Venezuela. Não compreendo esta comunicação social.
Concordo com o texto, de facto é curioso como uns são filhos da mãe e outros da puta... para além ao já referido tratado de Lisboa, e ao referendo na Irlanda (vamos ver quantos referendos serão feitos até ganhar o sim), também podemos juntar o bom exemplo de um grande "democrata ocidental" como o sr berlusconi (nem sei como se escreve), que faz leis e altera leis a seu gosto e de acordo com os seus interesses, e claro nem é precioso falar do belo exemplo de democracia que temos no nosso país, desde autarcas modelo até a conselheiros de estado, aqui temos de tudo, como numa farmácia.
Inteiramente de acordo com o amigo Tourais e com o JM que lembra e muito bem, que nós não nos podemos queixar, pois que, aqui há de tudo como na farmácia, uma biodiversidade do caraças!
E notem, ainda há certamente espécies que ainda não foram descobertas e catalogadas, pois que quando o forem, vão dar muito que falar, tamanha a genealidade dos genes e dos indivíduos seus portadores que irão precisar de milhares de páginas e de volumes para descrever tanta façanha.
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