sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Amizade?

A América está a mudar

O Senador negro Barack Obama surpreendeu ao ganhar as primárias num estado de brancos religiosos e conservadores, arrecadando 37,6% dos votos democratas, contra os 29,7% de John Edwards e os 29,5% de Hilary Clinton, num total de cerca de 230 mil votantes (o dobro de há quatro anos).

Do lado republicano ganhou o ultra-conservador e pastor evangélico Mike Huckabee (34%), seguindo-se-lhe Mitt Romney (25%) e Fred Thompson 14%. Rudy Giuliani eclipsou-se em apenas 4% dos cerca de 110 mil eleitores republicanos.

O Iowa tem aproximadamente 3 milhões de habitantes e votaram menos de 340 mil. Fforam eleitos 57 delegados democratas e 40 delegados republicanos.

As regras da nossa Oligarquia

Seria estranho que o pasteleiro cá da rua emprestasse dinheiro a outro pasteleiro para comprar uma pastelaria mesmo ao lado da sua. Se o dono da pastelaria soubesse do caldinho, certamente que não iria gostar e a coisa até podia acabar à batatada. Então se o pasteleiro, para além de emprestar o dinheiro, aceitasse o convite agradecido do novo empresário da rua e se transferisse para a sua pastelaria, levando consigo os segredos e as receitas da primeira, a batatada estaria garantida, que deselegância.

Mais urbana e elevada, até pelos montantes envolvidos (500 milhões de euros), é a história d
o empréstimo concedido pela CGD, com as assinaturas de Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, a Joe Berardo, à família Moniz da Maia, a Manuel Fino, a Pedro Teixeira Duarte e a José Goes Ferreira, para que estes pudessem comprar acções do BCP. Agradecidos, Joe Berardo e Moniz da Maia encabeçaram a lista de proponentes da candidatura de Carlos Santos Ferreira (que inclui Armando Vara e os segredos da CGD) à presidência do - agora mais seu - BCP. E nem o mais leve vestígio de batatada nesta salada russa, ou não tivesse a dita sido cozinhada na observância das regras mais elementares desta tão nossa oligarquia, mais habituada ao seu excelente champanhe, ao seu melhor caviar e que não dispensa umas belíssimas charutadas no casino. Finérrimos.

A saúde do gelo

A A24 foi cortada entre Vila Real e Vila Pouca de Aguiar devido ao gelo. Uma vez que o SAP nocturno de Vila Pouca de Aguiar foi encerrado recentemente, há que comprar helicópteros ou trenós de alta velocidade para os utentes que necessitem de ser transportados de urgência para Vila Real. O burro, esse animal simpático e merecedor de todo o nosso carinho e apreço, é outra alternativa possível.

Lisboa-Dakkar cancelado

O auto-diagnóstico na reforma do SNS

O bastonário da Ordem dos Médicos responsabiliza o Governo e o primeiro-ministro pela morte de uma idosa no Hospital de Aveiro, atribuindo a situação à sobrecarga da urgência. (…) A doente deu entrada no hospital pelas 14:00 e, na fase de triagem, foi-lhe atribuída a cor amarela, pelo que teria de ser observada por um médico no espaço de uma hora. Quando finalmente ia ser observada por um médico, pelas 17:45, três horas e 45 minutos depois de ter dado entrada, estava morta.

No Jornal das 9 da SIC Notícias de ontem, Mário Crespo confrontou o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, com esta morte. Segundo ele, a culpa é de todos os utentes que continuam a recorrer às urgências hospitalares sem que o mal de que padecem o justifique. O Governo conta, assim, com o contributo dos auto-diagnósticos de todos os portugueses para a sua reforma do SNS. E eu que pensava que quem se dirige à urgência o faz precisamente para que lhe seja feito um diagnóstico.

Ao nível mais alto

Começa a conhecer-se quantificadamente o alcance do primeiro impacto de uma reforma que cortou no investimento público e nos salários e esbanjou em auto-elogios e despesas correntes. O record de falências em 10 anos em contraste com o país das maravilhas de José Sócrates e daquele outro, ainda mais distante, onde iam ser criados 150 mil empregos. Mas nada de alarmes, continuamos no bom caminho.

O ano que agora terminou foi abundante em matéria de falências. No total, quase 4000 empresas enfrentaram situações de insolvência, um acréscimo de 63% face a 2006. Deste conjunto, apenas 54 empresas iniciaram planos de recuperação, de acordo com um estudo da Coface. (
DN)