segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Alternativas de empobrecimento (continuação)

A proposta original de revisão do Código do Trabalho previa a negociação individual de concentração dos horários semanais em apenas três dias. Mas o PS quis ir mais longe e a proposta de lei do Governo que deu entrada na Assembleia da República, que será aprovada pela maioria que a propôs, prevê horários semanais de apenas um ou dois dias.

O deputado socialista Jorge Strecht Ribeiro explicou o que se pretende: "tornar mais facilmente negociável o horário dos trabalhadores". Como se trabalhadores e empregadores negociassem em pé de igualdade. Mas, para Strecht Ribeiro, "não é o patrão que tem vantagem no trabalho concentrado, mas sim o trabalhador". Este "dificilmente aceita um horário concentrado se isso implicar um prejuízo na sua vida familiar", argumentou, para depois dizer que a adaptabilidade horária traz vantagens para as empresas: "
é óbvio que a adaptabilidade vai permitir às empresas poupar nos custos com as horas de trabalho extraordinário". José Sócrates e Vieira da Silva tinham reagido violentamente quando os sindicatos acusaram a intenção da proposta inicial de permitir às empresas deixar de pagar horas extraordinárias. Afinal, quem mentiu aos portugueses não foram os sindicatos. Com o novo Código do Trabalho regressamos em força à matriz de competitividade baseada em salários baixos que foi seguida durante todo o Estado Novo e é uma das causas do nosso atraso estrutural.

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