Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Saúde privada: vacas gordas em tempos de vacas magras

Em tempos de vacas magras, o negócio da Saúde em Portugal vive tempos de vacas gordas. E não é por acaso.

O Estado garante um mercado de proximidade

O emagrecimento do SNS que tem sido seguido pelos últimos governos tem progressivamente vindo a garantir uma vantagem de proximidade aos privados. Com o sucessivo encerramento de unidades de saúde, há terreno que fica livre de concorrência e, com toda a naturalidade, abrem unidades de saúde privadas onde encerram unidades públicas.

O Estado garante vantagens na celeridade e na qualidade do atendimento

Por sua vez, dos encerramentos, realizados sem a necessária readaptação cuidadosa de meios humanos e materiais, resulta um atendimento concentrado em unidades hospitalares completamente congestionadas que garantem aos privados vantagens importantes na celeridade e na qualidade do atendimento.

O Estado garante o pessoal e a clientela

Finalmente, é também o Estado que garante aos privados pessoal qualificado, ao permitir a acumulação de funções públicas e privadas de pessoal médico e de enfermagem, com prejuízo da produtividade no SNS, e é ainda o Estado a garantir a clientela aos privados: directamente, através de serviços convencionados, e indirectamente, ao transformar a facturação dos privados em despesas elegíveis para dedução à colecta em sede de IRS dos seus clientes.

A opção política alternativa

A receita que o Estado deixa de arrecadar com Estas deduções poderiam ser afectadas ao funcionamento das unidades de saúde encerradas e à modernização do SNS. Mas não. A opção é clara: um SNS para a população mais desfavorecida e um sistema de saúde privado para quem o pode pagar. Nada pior para favorecer a degradação do SNS que deixar afastar os seus utentes mais exigentes. Tanto melhor para a concorrência. O Estado garante um futuro risono ao sector privado.

Resultado: um negócio florescente

Desta forma, com tudo a ajudar, o negócio não poderia correr mal. O resultado é um sector pujante, com
20 a 25 unidades hospitalares privadas projectadas até 2009 e uma clientela que já abrange mais de 20% de uma população que encara a detenção de um seguro de saúde privado como uma questão de status e não como um encargo que não teria que suportar caso as opções de política de saúde fossem outras.

Um sector com representação parlamentar

Nesta encruzilhada de “acasos da sorte”, nem a representação parlamentar do sector foi deixada ao acaso e até a Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, eleita por uma maioria zelosa no seu combate aos poderosos interesses corporativos, aproveitou a oportunidade para
fazer uma perninha no privado. Como seria de esperar em vocações mais filantrópicas, tudo perfeitamente legal, sublinhe-se. O Estado garante, também, consultoria técnica.

1 Puxões e esticões adicionais:

osátiro disse...

Se bem me lembro, foi um ministro da saúde deste "governo" que disse q nunca tinha ido a um SAP nen nunca iria,
E q os medicamentos fora de prazo fossem dados aos pobres.
Por sinal, esse ilustre muito amigo de Sampaio e da ala"esquerda" do PS.
Depois falam do Salazar!!!