A face visível da baixa qualificação dos empresários portugueses reflectida nos números do desemprego do pessoal mais qualificado do país. Quem não detém o conhecimento, não o valoriza: para a maior parte dos nossos empregadores, mais qualificação apenas significa aumento de custos com salários. Daí a necessidade de desenvolver políticas que revertam esta situação, conjugando acções de formação e de sensibilização do nosso tecido empresarial com incentivos ao emprego de pessoal qualificado.
Não tem sido este o caminho seguido. Pelo contrário, a baixa produtividade tem sido compensada com políticas que desvalorizam a qualificação, quer através de legislação que promove a rotatividade de pessoal e precariedade laboral, quer através da insistência no modelo de competitividade assente em salários baixos, responsável maior pelo nosso atraso estrutural, quer ainda através da almofada de fundos comunitários atribuídos sem quaisquer contrapartidas de admissão de quadros qualificados capazes de garantir o acompanhamento técnico adequado a investimentos que se querem estruturantes e não apenas conjunturais. De nada serve o discurso da “batalha da qualificação” se, ao mesmo tempo, se incentivar o lucro fácil através da exploração do factor trabalho: são dois caminhos opostos. E quando se apontam dois caminhos opostos, incentiva-se o que já existe.
Pelo menos 43 mil licenciados desempenhavam em 2007 trabalhos de baixa qualificação ou não qualificados, como limpezas ou construção civil, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Sem emprego nas suas áreas, dizem-se "dispostos a tudo" para sobreviver.
De acordo com números estimados pelo INE com base no inquérito ao emprego, no ano passado 7200 pessoas com formação académica superior estavam empregadas em trabalhos não qualificados. Vendedores por telefone ou em trabalhos ao domicílio, pessoal de limpeza, lavadeiras e engomadores de roupa, empregadas domésticas ou estafetas são alguns dos exemplos constantes da lista de trabalhos não qualificados, segundo a classificação nacional de profissões.
Quanto custou ao país a formação de toda esta gente?
Não tem sido este o caminho seguido. Pelo contrário, a baixa produtividade tem sido compensada com políticas que desvalorizam a qualificação, quer através de legislação que promove a rotatividade de pessoal e precariedade laboral, quer através da insistência no modelo de competitividade assente em salários baixos, responsável maior pelo nosso atraso estrutural, quer ainda através da almofada de fundos comunitários atribuídos sem quaisquer contrapartidas de admissão de quadros qualificados capazes de garantir o acompanhamento técnico adequado a investimentos que se querem estruturantes e não apenas conjunturais. De nada serve o discurso da “batalha da qualificação” se, ao mesmo tempo, se incentivar o lucro fácil através da exploração do factor trabalho: são dois caminhos opostos. E quando se apontam dois caminhos opostos, incentiva-se o que já existe.
Pelo menos 43 mil licenciados desempenhavam em 2007 trabalhos de baixa qualificação ou não qualificados, como limpezas ou construção civil, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Sem emprego nas suas áreas, dizem-se "dispostos a tudo" para sobreviver.
De acordo com números estimados pelo INE com base no inquérito ao emprego, no ano passado 7200 pessoas com formação académica superior estavam empregadas em trabalhos não qualificados. Vendedores por telefone ou em trabalhos ao domicílio, pessoal de limpeza, lavadeiras e engomadores de roupa, empregadas domésticas ou estafetas são alguns dos exemplos constantes da lista de trabalhos não qualificados, segundo a classificação nacional de profissões.
Quanto custou ao país a formação de toda esta gente?

3 comentários:
Filipe, outra pergunta que quase ninguém se atreve a fazer é: e quem é que vai fazer esses trabalhos de baixa qualificação quando qualificarmos toda a gente?
Porque a resposta parece ser: os sobrequalificados.
Desembrulhe este imbroglio se souber.
Não, Gi. Essa questão está muito longo de colocar-se. Estamos muito longe de termos uma qualificação aceitável.
Continue com esta clareza de ideias...alguns, infelizmente poucos, puxarão sempre a carroça..outros, infelizmente muitos, serão toda a vida arrastados ou esmagados pelo sistema...é sempre bom ler e reler as suas ideias e os seus "empurrões"
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