sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Privilégios em sentido amplo, deficientes em sentido restrito

Depois de ter retirado os benefícios fiscais aos trabalhadores portadores de deficiência, chegou a vez das crianças deficientes. Os pais dos mais recentes privilegiados descobertos pelo Governo de José Sócrates que queiram que os seus filhos frequentem escolas especializadas do ensino especial terão de pagar do seu próprio bolso mensalidades que rondam em média os 360 euros mensais. E tudo porque deixaram de ser deficientes. Sim, leu bem. É que, na nova definição oficial de deficiência, mais restrita e, ainda por cima, ambígua, há crianças que antes eram consideradas deficientes e à luz da nova definição deixam de o ser.
Na era do retrocesso social do reformismo de coisa nenhuma, o conceito amplo de privilegiado reflecte-se também no conceito restrito de educação especial da sua verrina oficial:
a ideia central do novo diploma é fomentar a integração das crianças com certas deficiências nas escolas do ensino regular, onde poderão receber pontualmente apoio educativo especial, assegurado por professores com formação específica. Pontualmente. Como a formação específica pontual do pessoal docente.

6 comentários:

Gomes Ribeiro disse...

Estão a ir longe demais. Isto é inadmissível.

Anónimo disse...

É tudo plástico. Analfabetos que deixam de ser analfabetos administrativamente e agora isto, no mesmo sentido, deficientes que deixam de ser deficientes pela via administrativa para que deixem de ter assistÊncia e assim se poupem cêntimos. Isto é vergonhoso.

Pata Negra disse...

Até onde pode chegar a des)vergonha(?!
Talvez existam males que vem por bem, talvez seja preciso bater no fundo, para Portugal acordar de uma vez por todas!
Irra que é demais!

Fernando Vasconcelos disse...

Nem quero acreditar que seja verdade embora com o que tenho visto ultimamente já nada me surpreenda. A ser assim é inadmissível e incompreensível.

Marco Gomes disse...

Impressionante...

Anónimo disse...

Eu bem sei que formação têm os professores em ensino especial. Poucos meses de formação específica, um diploma, e a garantia de ficar mais perto de casa. Essa é a motivação. Depois, um ano têm um cego, no outro têm um surdo, no outro ninguém e no quarto volta tudo ao zero e lá sai um aluno com um ligeiro atraso mental. A experiência que têm é esta e em cada situação nova é um ai Jesus que revela bem a falta de preparação e a resposta inadequada que dão a cada situação em concreto. É nas mãos destes profissionais “especializados”, com formação pontual, como diz e muito bem, que ficam as crianças com deficiências não profundas. Crescerão com isto e com a falta de exigência do ensino até ao almejado 12º ano, analfabetos e coitadinhos. Depois, a casa dos pais que os acolha. Até que aqueles morram. Depois… Bom, depois não sei. Nem eles.

António Borges, pai de um deficiente auditivo.