Primeiro, e quanto ao défice zero, apesar de fervilhar como ideal nos imaginários de muitos, está longe de sê-lo, ideal: basta olhar para a História da Europa e verificar que os períodos de maior crescimento económico e maiores aumentos do nível de bem-estar das populações europeias coincidem precisamente com períodos onde se verificaram défices enormes. Exemplo disso é o período de implementação do plano Marshall na Europa do pós-guerra. Depois, e referindo-me já à segunda calinada do nosso Miguel, este défice de que falo, o mesmo dos 3% da obsessão de José Sócrates, nada tem que ver com a diferença entre o que produzimos e o que consumimos. Não. Isso será o défice externo, numa abordagem simplificada. O défice em causa é o défice orçamental, que mede a diferença entre receitas (impostos, taxas, etc.) e despesas (Gastos do Estado mais subsídios concedidos), diferença que, por sua vez, é relacionada com o PIB (produto interno bruto). Ou seja, não basta fazer cara de mau para ser comentador económico no jornal da noite de uma televisão. Há que estudar um bocadito. Pelo menos um bocadito. É essa a diferença entre enriquecer a informação com um comentário e entreter com meia dúzia de larachas ditas por um especialista em generalidades que é conhecido pela sua exigência. Relativamente aos outros, bem entendido.
Sugestão: um livro por dia
-
[image: 250x (2).jpg]
*As Memórias Secretas da Rainha D. Amélia, de Miguel Real*
*Romance*
*(reedição D. Quixote, 4ª ed, 2019)*
*"O autor usa a graf...
Há 3 horas

