quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Time's person of the year 2007

Talvez pela vitória estrondosa nos territórios ocupados da Tchetchénia e da vizinha Inguchétia. Na Tchetchénia, 99,54 por cento participaram no escrutínio, dos quais 99 por cento votaram na Rússia Unida. Na Inguchétia, a afluência foi superior a 98 por cento dos inscritos, dos quais quase 99 votaram no partido de Putin. Realmente, não é para todos. Só mesmo uma personalidade do ano da Time.

Três carreiras, uma vocação

Esta história, de meter água, envolve etapas anteriores das carreiras daquele que se tornou famoso pelo seu deserto, de um outro que transformou a economia portuguesa também num deserto e de um outro ainda que não me acredito que termine aqui a sua carreira promissora sem que lhe dêem novas oportunidades de aplicar o mesmo método de secagem a outras empresas públicas.

A Águas de Portugal saiu ontem do Brasil, resolvendo um pesadelo de anos, numa aventura que lhe trouxe um prejuízo de 100 milhões de euros. O fracasso faz parte do dicionário de quem investe e de quem arrisca. Neste caso, arriscou-se com o dinheiro público, o que recomenda alguma memória.

A administração de Pedro Serra passou grande parte do seu mandato, que termina dentro de dias, a fechar negócios ruinosos, vendendo-os, uns bem, outros ao desbarato. A empresa já saiu de Cabo Verde, estará vendedora em Moçambique e mantém presença simbólica (e diplomática) em Timor. Ontem, fechou finalmente o balanço no Brasil, onde entrou em 1998 em pura aventura brasileira do Governo Guterres. O presidente da Águas de Portugal era então Mário Lino; a empresa era tutelada pelo ministro do Ambiente José Sócrates.

O Pai Natal passou pela EMEL

Mas os vereadores do movimento Cidadãos por Lisboa mandaram-no para a Lapónia e devolveram os presentinhos.

É o mercado, estúpido!



Sempre lhes disseram que da livre acção dos agentes no mercado resultaria o bem de todos e sempre lhes disseram que os poderes públicos deveriam intervir o menos possível nesse mercado. Agora verificam que da livre acção dos agentes no mercado resultou uma crise que só os poderes públicos podem conter e que isso implica mexer com o dinhheirinho dos seus impostos. E, enquanto os americanos discutem se será justo que sejam os contribuintes a pagar pelos erros de quem empresta sem garantias de cobrança e de quem pede emprestado sem condições de assegurar o pagamento das dívidas contraídas, o mercado dá a resposta:

«
A actual crise financeira parece estar a baralhar as tradicionais hierarquias de poder dos mercados internacionais. Depois da capitalização do Citybank por um fundo estatal de Abu Dabhi, é agora a vez do Merryl Linch (outro grande banco internacional) recorrer a um fundo estatal chinês.»

Uma crise presa por cordéis


Enquanto vai aguentando os impactos da crise sub-prime, através da operações de injecção e absorção de liquidez na economia para evitar um boom das taxas de juro,
numa acção concertada com a Fed norte-americana e os bancos centrais da Inglaterra, Canadá e Suíça, o BCE vai também deixando avisos repetidos sobre os riscos de um acentuar desta crise e de que a economia portuguesa é, de longe, a mais vulnerável.

Entretanto, chegam notícias dos Estados Unidos sobre o
número de norte-americanos que pediu pela primeira vez o subsídio de desemprego na semana finda a 1 de Dezembro, que foi de 346 000, contra os 334 000 pedidos registados na semana anterior e constituindo um dado menos favorável do que o esperado pelos analistas, que estimavam que o valor alcançasse os 335 000.

Em Portugal, por seu turno, para além dos impactos da crise sub-prime, há notícias de um aumento do crédito mal parado.
Atingiu Novo record em Outubro, adivinhando-se novos records no futuro mais próximo, dada a evolução das taxas de juro verificadas desde então.
A crise de escândalos no BCP conhece novos episódios, com Joe Berardo a entregar denúncias de esquemas de branqueamento de capitais, fuga fiscal e gestão danosa, primeiro à CMVM e depois ao
PGR, que já as enviou ao DIAP para investigação. Finalmente, Cavaco Silva, alarmado, chamou Joe Berardo a Belém para se inteirar da situação e, seguramente, também para inteirar Berardo de que numa crise como esta, presa por cordéis, será de todo conveniente fazer voto de silêncio.

Críticas de um provinciano a críticas a um provinciano

«Críticas revelam visão provinciana e ultrapassada, diz José Sócrates
José Sócrates considera que quem acusou o Governo de dar mais atenção à Europa do que a Portugal revela uma visão provinciana e ultrapassada. »

Agora baralhei-me. Afinal
quem é o provinciano? E como é que um provinciano pode entender como pensam aqueles que o não são? Como é que se comporta um provinciano quando aprende uma palavra nova?

Um balanço para 2007

Ontem veio-me à ideia que, um dia destes, haveria de deixar aqui qualquer coisa em jeito de balanço do ano. Logo desisti. Vi que iria resultar um texto chato e demasiado negativo. Não estou para aí virado. Resta-me o plano B de deixar o apelo a alguma alminha caridosa que leia isto e me avive a memória de algum facto positivo para Portugal que tenha ocorrido este ano e que, por proporcionar uma melhoria de vida aos portugueses, seja suficientemente relevante para figurar num qualquer sacramental balanço anual. Será exagero meu, mas a mim não me ocorre nem unzinho. Para o efeito, fica à disposição a caixa de comentários a este post e, ali ao lado, a questão que deixo aos leitores:

No final do ano, Portugal é um país melhor ou pior do que era no início do ano?