terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Já não somos os melhores alunos

A Hungria antecipou-se a José Sócrates e já ratificou o Tratado de Lisboa pela via parlamentar. Sem discussão e sem que os Húngaros conheçam o Tratado.

O dilema do desespero

«Cada um dos 23 imigrantes clandestinos, que ontem chegaram numa embarcação minúscula ao Algarve, terá pago cerca de 900 euros pela viagem que os deveria colocar no Sul de Espanha.»

Vender todos os seus haveres e pedir o restante emprestado aos vizinhos e amigos, arriscar a sorte e jogar o tudo ou nada. Tudo, alcançar a terra prometida numa casca de noz. Nada, morrer rapidamente na viagem ou esperar por uma morte lenta reservada por um quotidiano de miséria que mais não tem para prometer. É este o dilema do desespero de quem vive do lado de lá da globalização, diante da indiferença dos que vivem do lado de cá. Repatriados, agora há que reiniciar, do lado de lá. Sem os magros pecúlios de cada uma daquelas 23 existências e com forças para pagar os empréstimos contraídos para pagar o remanescente do preço do sonho. Do lado de cá, é a época dos sonhos, da paz e do amor ao próximo. Feliz Natal, ora pois.

Ainda não tinhamos dado conta

«"É verdade, sou um provinciano" confessou Sócrates» faz o título de um artigo do DN que faz a abordagem da problemática da escolha, sempre difícil, entre pato e bacalhau, para terminar com uma gargalhada sonora. O culpado é um jornalista francês que, já de pato no papo e comido que nem um patinho, retribui, parolo, com uma pérola: "ao contrário de Nicolas Sarkozy, José Sócrates nunca telefona aos jornalistas". Franceses? Ouvi dizer que o Capuchinho Vermelho também não lhes liga nenhuma.



Promessa cumprida

Um dos salários mínimos mais baixos da Europa vai subir 23 euros em 2008. O aumento corresponde a menos de 77 cêntimos por dia e ocorre depois do acordo tripartido de 2006, que visa fixar o salário mínimo em 450 euros em 2009 e 500 euros em 2011. Para que este acordo seja cumprido, para além do aumento deste ano, o salário mínimo terá de aumentar 24 euros em 2009 e uma média de 25 euros em 2010 e 2011. “O maior aumento em 10 anos”, as palavras escolhidas por José Sócrates para anunciar o aumento deste ano, constituirão uma surpresa tanto para aqueles que não fizeram as contas no ano passado como também para aqueles que esperariam, mais uma vez, que Sócrates faltasse a compromissos assumidos. Desta vez, enganaram-se. Sócrates fez o mínimo que lhe era exigível: cumprir com a palavra dada.