«A Administração Fiscal está a planear entregar em 2008 aos privados - à banca e outras instituições financeiras, juntas de freguesia e câmaras municipais - boa parte dos serviços de cobrança de impostos, através de "novos protocolos". A intenção está inscrita nas "Orientações Estratégicas", um documento prévio ao "Plano de Actividades" da máquina fiscal para o próximo ano, a que o DN teve acesso.
O fisco prevê mesmo deslocar funcionários da cobrança - as antigas tesourarias - e do património - onde se processa a liquidação de impostos como o IMI e o selo - para outras secções, como o da justiça tributária, o que pode afectar directamente um universo de pelo menos 2000 funcionários, cerca de 20% dos trabalhadores da administração fiscal. O relatório, neste contexto, não faz referência ao quadro de mobilidade especial - onde estão colocados os excedentários - e ao Prace, o programa de restruturação da Administração do Estado, mas os sindicatos vão já hoje contestar estas "orientações estratégicas".»
Parecia-me que nem estava a ler bem. Mas estava. A cobrança fiscal é uma função que nunca saiu da esfera do Estado em nenhum país, nem mesmo nos mais liberais. A concretizar-se o que pode ler acima, o pioneiro será precisamente aquele país onde o poder local e a banca têm sido notícia pelos piores motivos, com casos como o da gestão danosa e o tratamento especial dado a clientes no BCP, o furacão do financiamento dos partidos e o branqueamento de capitais no BES, os casos de corrupção no poder autárquico, etc. Talvez tenhamos chegado a uma nova fase na cruzada socialista-reformista contra os “interesses corporativos”. Só pode ser isso. Mas… e quem cobrará e fiscalizará os impostos da banca? Há muitas outras questões que se levantam. Esta é só uma delas.
O fisco prevê mesmo deslocar funcionários da cobrança - as antigas tesourarias - e do património - onde se processa a liquidação de impostos como o IMI e o selo - para outras secções, como o da justiça tributária, o que pode afectar directamente um universo de pelo menos 2000 funcionários, cerca de 20% dos trabalhadores da administração fiscal. O relatório, neste contexto, não faz referência ao quadro de mobilidade especial - onde estão colocados os excedentários - e ao Prace, o programa de restruturação da Administração do Estado, mas os sindicatos vão já hoje contestar estas "orientações estratégicas".»
Parecia-me que nem estava a ler bem. Mas estava. A cobrança fiscal é uma função que nunca saiu da esfera do Estado em nenhum país, nem mesmo nos mais liberais. A concretizar-se o que pode ler acima, o pioneiro será precisamente aquele país onde o poder local e a banca têm sido notícia pelos piores motivos, com casos como o da gestão danosa e o tratamento especial dado a clientes no BCP, o furacão do financiamento dos partidos e o branqueamento de capitais no BES, os casos de corrupção no poder autárquico, etc. Talvez tenhamos chegado a uma nova fase na cruzada socialista-reformista contra os “interesses corporativos”. Só pode ser isso. Mas… e quem cobrará e fiscalizará os impostos da banca? Há muitas outras questões que se levantam. Esta é só uma delas.
