segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Um êxito tipo "failure"

Na TSF, o êxito em toda a linha e o acordo histórico das palavras de José Sócrates no encerramento da Cimeira. Na Al-Jazeera, o fracasso e a rejeição do acordo de comércio. O nosso homem não deu por nada.


»Africa leaders reject EU trade deal

Zimbabwe and Darfur caused tensions between African and European delegates [AFP]

African leaders have dismissed free trade deals demanded by the European Union, placing a cloud over an agreement between the two continents forge a new relationship based on equality.

The failure to make progress on the Economic Partnerships Agreements (EPAs) in Portugal came after two days of talks marred by disputes over Zimbabwe and Darfur. (…)»

«José Sócrates considera que a II Cimeira UE-África foi um grande sucesso. O presidente em exercício da União Europeia diz que todos os objectivos foram alcançados.

A II Cimeira UE-África terminou este domingo com palavras de grande optimismo por parte de José Sócrates. Para o presidente em exercício da União Europeia, todos os objectivos foram alcançados, razão pela qual considera que a Cimeira foi um sucesso. «O que sai desta cimeira é uma parceria entre os dois continentes para um futuro melhor. Mas esta cimeira inaugura também uma nova era do diálogo politico cuja intensidade está bem expressa naquilo que foi o nível inédito de participação de chefes de estado e chefes de governo ao nível da cimeira», disse Sócrates no discurso de encerramento. (…)»

Onde termina o combate ao corporativismo?

«Entre os dirigentes da Administração Pública, apenas os secretários--gerais e os inspectores-gerais terão independência do poder político. Ao contrário do anunciado em 2005, o Executivo de José Sócrates decidiu que não vai alargar a lista dos responsáveis públicos que devem manter-se no cargo mesmo que o Governo mude.»

Não é apenas mais uma promessa que não é cumprida. Mais do que faltar ao prometido e não incluir na sua fúria reformista a desinstrumentalização da Administração Pública pelos aparelhos dos partidos que se alternam no poder, o Governo de José Sócrates tenta alargar essa instrumentalização aos funcionários públicos que estão na base da pirâmide hierárquica. A nova lei de vínculos, carreiras e remunerações, que foi enviada pelo PR para apreciação ao Tribunal Constitucional, permite, entre outras coisas, que a AP se transforme numa placa giratória de boys nomeados. Quer pela precariedade do novo vínculo público, em que cada funcionário vê a sua situação revista anualmente, ao sabor de engenharias e cosméticas orçamentais, quer pela simplificação dos processos de recrutamento, em que o perfil, a remuneração e até as habilitações necessárias ficam ao critério dos dirigentes nomeados políticos. Caso esta reforma seja concluída, regressa-se ao tempo em que um curriculum em que conste ter sido chefe de turma no 9º ano pode valer mais que outro que inclua uma licenciatura ou mestrado. Basta, para isso, que no processo de recrutamento tal seja valorizado como “espírito de liderança”.

Brilhante












AisseTie: «Haverá um antes e um depois deste post.»

Paulinho Furacão strikes again

O ex-Paulinho das Feiras, agora Paulinho Furacão, insurge-se contra a escola inclusiva. Segundo ele, o ensino público é incompatível com exigência e disciplina. Ai! Precipitei-me. Lendo mais um bocadinho, o ensino público é que é incompatível com o reforço de incentivos ao ensino privado. No ensino privado é que moram todos os méritos e a escola inclusiva estraga bons negócios. Assim acontece também no ensino superior, onde os padrões de qualidade e de exigência são de todos conhecidos.

Tão modernaço

E nisto, para rematar uma entrevista num estilo que não é o seu, Mário Soares responde à jornalista da Antena 1 que lhe perguntava sobre a presença de tantos ditadores: “isso não tem importância nenhuma, minha senhora.”