terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Cimeira UE-África-ditadores

Sobre a próxima etapa da carreira política de José Sócrates, sabe-se, há muito, que tem a forma de parada de ditadores africanos. Quanto às metas e aos objectivos visados para a sua realização, sabe-se muito pouco. Como convém, porque sem objectivos claros o fracasso fica sempre afastado e há sempre um “avanços significativos” que, dito quando chega a hora de o dizer, serve para tudo. Hoje Soube-se quanto vai custar: 10 milhões de euros. No mesmo dia em que 17 gigantes da literatura mundial, entre os quais Mia Couto, Gunter Grass, Vaclav Havel e Dario Fo, publicam uma carta aberta endereçada a todos os chefes de Estado e de Governo que irão estar presentes na cimeira UE -África, a quem chamam expressamente de cobardes.

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Porque devemos ouvir os poderosos quando estes não ouvem os gritos dos que sofrem? Milhões de africanos e europeus esperariam que o Zimbabué e o Darfur estivessem no topo da agenda (…) Que podemos dizer desta cobardia política? Dos nossos líderes esperamos liderança, uma liderança com coragem moral. Quando não o fazem, deixam-nos moralmente enfraquecidos. Ao evitarem os temas difíceis, tornam-se irrelevantes"

Soluções de mercado

«The Information Commissioner launched an investigation yesterday after it was revealed that thousands of Britons' bank details are available for sale on the internet.

The Times newspaper said it had found more than 100 websites offering to sell UK bank details, including account numbers, PINs and security codes, and had been able to download banking information for 32 individuals, including a High Court Judge, for free.»

Foi assim, naquele país onde se exploraram ao máximo as capacidades ilimitadas do santo mercado. Um belo dia, a Inglaterra acordou com os dados bancários dos seus habitantes à venda na Internet. Nomes, números de contas bancárias, pins e códigos de segurança podem mesmo ser conseguidos à borla. É uma questão de sorte e perícia na busca.
Agora, o caos que se instalou na Inglaterra não se resolve com discursos de combate a falsos privilégios nem a interesses corporativos descobertos para legitimar ímpetos reformistas privatizadores. Os ingleses confiaram a sua privacidade ao Estado inglês. O Estado inglês, por sua vez, cedeu a informação a privados. E estes, naturalmente, tudo fizeram para que a posse dessa informação desse lucro. Está a dar lucro. O mercado funcionou.