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«A Galp e a Petróleos da Venezuela (PDVSA) deverão assinar hoje um acordo de parceria para a área do gás natural, que envolve a participação da petrolífera portuguesa numa unidade de produção de gás natural liquefeito no país de Hugo Chávez (…).Esta nova unidade permite à Venezuela aumentar as suas exportações de gás, transportando-o por barco, para os seus mercados de destino. Para a Galp representa a entrada num negócio interessante, dada a escassez de capacidade de transporte e falta de unidades de liquefacção no mundo, mas também significa uma garantia de aprovisionamento de gás. A assinatura do acordo, que decorre paralelamente à visita de hoje do presidente venezuelano, Hugo Chávez, a Portugal, será feita na presença do ministro da Economia, Manuel Pinho, e do ministro dos Petróleos da Venezuela, Rafael Ramirez, que por sua vez é também o presidente da companhia estatal de petróleos do seu país. (…)»
Não é que eu goste especialmente da personagem Hugo Chavez, longe disso. Mas não deixa de ser irónico que em Portugal haja tantas leituras “à venezuelana” deste tipo de notícias. Explico: qualquer bom negócio que envolva o petróleo da Venezuela, para além de ser um bom negócio para a empresa estatal que os explora, é também um bom negócio para os venezuelanos, porque os milhões que dele resultem são aplicados em mais saúde, mais educação, mais apoios sociais, no combate à pobreza e à exclusão social, etc. Em Portugal, apesar de os benefícios de um negócio deste tipo apenas reverterem a favor dos accionistas da empresa que os firma, a forma de dar e de receber a notícia faz-se, muitas vezes, de forma vibrante, como se fosse o todo nacional que ganhasse com ele. Nada mais tonto. Numa leitura à portuguesa, a que corresponde, apenas faz sentido que rejubilem aqueles que detêm acções da Galp. Os que não têm nenhuma, limitem-se ao contentamento de verem aumentar o pecúlio dos primeiros. E, se quiserem, alegrem-se também com as migalhitas que reverterão para a saúde, educação, combate à pobreza e exclusão social no nosso país, o que é manifestamente muito pouquito para iluminar tantos sorrisos.
Quanto ao combate à iliteracia e ao analfabetismo e quanto à aposta numa qualificação efectiva, o artigo nada diz. Fala apenas deste sucesso, conseguido à custa de ardis de notas inflacionadas e de pressões sobre os docentes. Simples, simplex, mas em breve a exibição de um diploma não terá qualquer tradução em conhecimentos e competências adquiridas. Será apenas um "andei por lá", sem qualquer valor.