No video, José Sócrates em mais uma etapa da construção da marca de mentiroso que vai deixar na História de Portugal. A característica ficou mais uma vez evidenciada, tal como a esquiva ao debate político, que desvia com habilidades cénicas de bom recorte técnico para os terrenos onde se sente mais à vontade, os do despique pessoal.
Desta vez, porém, é impossível disfarçar. Sócrates faltou à verdade. Foi confrontado com a existência de um Decreto-Lei, já assinado pelo Governo, o enquadramento legal de um negócio que perpetuará o socratismo ao longo de tantas gerações de governantes que o primeiro-ministro em funções à data do término da concessão agora firmada ainda nem sequer nasceu. E, apesar de saber que o decreto estava a assinado e prestes a ser publicado, Sócrates negou-o da forma categórica e arrogante que pode ver-se, sob um coro de protestos do Bloco de Esquerda e do CDS, com o PSD a assistir, empenhado em ressaltar as maldades que fazem ao seu guerreiro mais menino.
Depois disto, passados dias, para dar cobertura à negação que Sócrates fez no Parlamento, o Governo tem um rasgo de alta política e publica uma resolução em Conselho de Ministros que fixa o prazo de concessão da rede rodoviária à empresa Estradas de Portugal. Até 2083, genial! O decreto-lei, o tal, fixava esse prazo em 2099. Porém, escapou a tanta genialidade que uma resolução do Governo não pode sobrepor-se a um decreto-lei, sob pena de incorrer em vício de ilegalidade. A resolução feita para safar a mentira de Sócrates é ilegal, assim o defendem Jorge Miranda e outros constitucionalistas na edição de hoje do Semanário Económico (link indisponível).