Já lá vai o tempo em que a polícia era chamada para tomar conta da ocorrência de um crime ou, na forte probabilidade da sua produção, para o evitar. Hoje em dia, as autoridades já são chamadas quando um grupo de pessoas exerce um direito seu: o direito à greve consagrado na Constituição da República Portuguesa, o diploma que está no topo da nossa hierarquia legal. Basta, para isso, termos um governo que tenha uma visão de uma polícia ao seu serviço e não ao serviço do cumprimento da legalidade e dos direitos dos cidadãos. Capangas.
«Logo na terça-feira, a empresa recorreu a elementos da GNR para abrir e fechar os portões da Valorsul, um procedimento considerado ilegal pela CGTP-In.
A empresa nega ter chamado as autoridades, mas assume ter comunicado aos ministérios do Ambiente e do Trabalho, que os «serviços mínimos» não estavam a ser cumpridos.»
Cabe à empresa definir os serviços mínimos e convocar os trabalhadores para o efeito. Depois, caso estes não compareçam, cabe-lhe decidir sobre a abertura - ou não - do processo disciplinar respectivo, que decorrerá, também ele, sem a presença da polícia, que terá muito mais com que se ocupar.