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Ser autor de uma caricatura pode valer um processo sumaríssimo e uma condenação ao pagamento de uma multa. Basta, para isso, que a caricatura seja publicada num periódico espanhol e que desagrade a Suas Majestades Reais. Depois do “por qué no te callas” do fim-de-semana passado, o soberano não eleito da democracia nossa vizinha esteve de novo em grande, com nova lição ao mundo sobre o seu conceito de liberdade de expressão. O colega venezuelano, o tal que aplica os proveitos do petróleo no desenvolvimento do seu país e no bem-estar dos compatriotas, mas que até fecha estações de televisão, a esta hora já deve saber. Por seu lado, em Espanha, os condenados agradecem e continuam a rir-se em nova caricatura. Afinal, o preço pago pela fama mundial não foi assim tão alto, o site da revista foi hoje um dos mais visitados de todo o mundo. Furiosos, só mesmo os ultra-nacionalistas e os defensores da monarquia que tenham consciência da perda de adesão detonada pelo tiro que o seu amado Rei deu no próprio pé. A consanguinidade é causa conhecida de declínio das espécies.
La publicación satírica El Jueves ha enviado una nota de prensa a los principales medios españoles, para recordar que mañana comparecen ante la Audiencia Nacional Manel Fontdevila y Guillermo Torres, autores de la caricatura aparecida en su "archifamosa portada de número 1.573", por un supuesto delito de injurias a la Corona.
La nota de prensa va va acompañada de una chapa con la viñeta que ilustraba el número siguiente a la polémica publicación, en la que se veía al príncipe de Asturias con el cuerpo de una abeja y la princesa Letizia en forma de flor bajo el título "Rectificamos: esta es la portada que queríamos publicar".
O presidente da Toshiba Europa, Noriaki Hashimoto, virá brevemente a Portugal entregar o galardão “Best European Project Award” que aquela empresa atribuiu este ano ao seu melhor vendedor de sempre, imagine-se, um português! O Consórcio Lino & Sousa sgPS é o orgulho da Nação! (ver aqui)
Entretanto, vão aparecendo os invejosos.
São inúmeros os casos conhecidos de personagens da nossa vida pública que, ao sabor da corrente e da oportunidade, vão saltando de partido em partido. Do MRPP para o PSD, do PCP para o PS, do PP para o PSD, não importa. A viagem metamórfica faz-se em sentido único, com descolagem da terra infértil do não poder e aterragem na terra do desejado promissor. Depois, colados ao poder, a vida sorri-lhes. Transformam-se no que nunca seriam se não tivessem descoberto aquela verdade maiúscula que só pecou por tardia.
Dentro desta fauna há exemplares para todos os gostos. Sabe-se mesmo que quanto maior a viagem, mais garridos e berrantes se tornam. Ocupemo-nos, pois, dos exemplares de longo curso, os mais interessantes do ponto de vista da biodiversidade. Geralmente renegam a notoriedade que tiveram na terra do equívoco através de discursos extremados que, sinal da necessidade de auto-afirmação e de sua proveniência, chegam a ultrapassar o daqueles que nunca conheceram outros amanheceres. Depois da chegada também são, tanto como os outros, até mais que os outros, sublinham-no com gestos largos. E esta exuberância aumenta de tom quando a nova verdade oficial, emanada do farol que substitui o comité central dos seus esquemas mentais, é confrontada com a pluralidade democrática que caracteriza o destino eleito de uma viagem ideológica realizada sem os valores da solidariedade e da justiça social que, por comodidade ou pela dimensão reduzida da mala, embora abundantes no ponto de partida, não são colocados na bagagem. Quando tal acontece, gritam, berram, repetem-se, esbracejam num rio de palavras onde, pelo dom que reconhecidamente têm, poderiam nadar como um peixe. Mas não. Em vez de debaterem ideias e admitirem que possa haver quem tenha opinões distintas das suas sem que isso seja sinal de menoridade intelectual, há exemplares que chegam mesmo a baixar-se ao nível do insulto e de apontar o “deslavado oportunismo”. Dos outros, claro está.
