sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Aumenta a contestação estudantil em França

Em França aumenta a contestação à política de ensino superior. Os estudantes franceses mobilizam-se contra a lei Pécresse, aprovada em Agosto último, a lei de autonomia universitária do executivo de Sarkozy que abre caminho à privatização das universidades públicas francesas, ao aumento de propinas e ao seu domínio por interesses privados. Já são mais de 30 os estabelecimentos de ensino superior paralisados ou ocupados e as manifestações estudantis fazem-se sentir por todo o país.
Os resultados da contestação são já visíveis. A ministra Valérie Pécresse, autora da polémica lei, anunciou um aumento de verba para a habitação estudantil, uma medida para refrear o ímpeto dos estudantes franceses. Estes consideraram-na positiva mas insuficiente para darem por encerrada a sua luta.

Na imagem, o cartaz que valeu a detenção a três estudantes no mês passado e a acusação de “ofensa e degradação leve”. Sarkozy, tal como Sócrates, leva muito a sério os “insultos pessoais”, mas conta com a desvantagem de ter um sistema de ensino ainda capaz de educar espíritos críticos e reivindicativos e não apenas uma educação orientada para o sucesso no treino de obediência canina.

É mesmo o nosso Cavaco!

Na XVII Cimeira Ibero-Americana, que decorre no Chile, Cavaco Silva usou da palavra para dizer sobre a pobreza e a desigualdade que “são inimigas do respeito pelos direitos humanos, minam a confiança nas instituições democráticas e prejudicam a concretização plena da ideia de progresso”.
Referindo-se ao tema central da cimeira, a coesão social, o PR recordou ter seleccionado a inclusão social como um dos temas prioritários do seu mandato presidencial, procurando mobilizar todos os portugueses para um compromisso cívico, com o objectivo de superar as situações de desigualdade de distribuição do rendimento e de exclusão social. (via
Público)

Seria uma vergonha se dissesse que em Portugal 1 em cada 5 portugueses é pobre, ou que as desigualdades se têm acentuado em Portugal mais do que em qualquer outro país da UE, ou ainda que as políticas neo-liberais desenvolvidas em Portugal e na União Europeia são as principais responsáveis por esse estado de coisas. Seria a verdade, mas o discurso não foi por aí. Cavaco preferiu vender um país imaginário, povoado de reptos presidenciais com efeitos espectaculares sobre a mobilização de toda a sociedade portuguesa contra as desigualdades, a exclusão social e a pobreza. Que seria de nós sem o nosso querido presidente?

Não ouvi falar disto no debate do OE 2008