quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Deus é amor

É compreender e amar o próximo. É saber perdoar e dar a outra face, exceptuando o outro ouvido. E é não ver o caramelo que estava a filmar tudo.

O Circo

Estava tudo preparado para ser um grande espectáculo. Duelo de titãs, assim o apresentava a imprensa, que ajudou a montar o circo. Nem como espectáculo valeu. Foi demasiado previsível. Sócrates nem precisou de fazer muito para emparedar Santana Lopes, direccionando-o para o seu tema preferido, o seu próprio eu. Depois, queixou-se Santana, faltou-lhe tempo para o resto. O resto, não o principal, ele mesmo. Discutiram o passado, Santana resumiu esse passado a um tempo em que estava presente. Podia ter falado no passado imediatamente anterior às eleições, o único relevante para o tema a tratar ali. Nada disso, optou pelo tapete que o opositor lhe estendeu e nada disse sobre as promessas de um José Sócrates que, em campanha, vendeu a esperança que depois de já eleito transformou em sacrifícios. O argumento da metamorfose de Sócrates está bem longe, demasiado longe, do umbigo de um menino guerreiro fiel ao que sempre foi. Regressou igual a si mesmo.
Conversados sobre o espectáculo, abordemos o debate. Pior ainda. É cada vez mais visível o reality show em que se tornou a política nacional, feita com actores – uns piores, outros melhores, uns mais talentosos, outros menos – mais dados a encenações povoadas de palavras ocas do que ao que teoricamente os levaria a estar ali: política, soluções, projectos. Pelo contrário, os debates desenrolam-se como as deixas no teatro, se disseres a 12 eu respondo-te com a 27, se disseres a 36 eu respondo-te com a número 4. Esta é a fórmula da política profissionalizada, da escola de actores das jotinhas. A política nacional é feita com gente recrutada nas juventudes partidárias, que aí aprendeu a arte de dizer sim ao amo como forma de alcançar o trampolim para o parlamento. E lá estão os eleitos, os que agradaram mais, os sobreviventes da selecção natural. Ganharam o lugar sem nunca terem tomado o pulso ao país, sem nunca terem experimentado um trabalho dito “normal” e sem nunca terem feito mais nada na vida que viver da política. A realidade, o debate útil, as propostas, a política digna desse nome ficaram, naturalmente, de fora. Ficam sempre, pertencem a um mundo que está longe dos seus.
Restam dois grupos. O primeiro, o daqueles que pertencem ao país real, com potencial para servirem a política e não apenas de se servirem dela, afastados tanto pela ameaça que representam por terem ideias próprias e um saber fazer como pela sua inaptidão para se movimentarem e ascenderem no meio. O que lhes sobra em vocação e qualificações para servir a causa pública, falta-lhes em arte de representação. O segundo, as personagens secundárias do show, os deputados dos pequenos partidos. Nunca chegamos a saber que projectos têm, estão tão à margem desta lógica de funcionamento como estão longe da cobertura mediática dada às novelas em que não participam. A política é aborrecida. Os espectadores mudam de canal se os aborrecemos. Que se lixe o Orçamento. E assim vamos andar até que os resultados desta era sejam tão maus que façam com que isto abane. É inevitável. Para que lado será a mudança, é a incógnita. Falta bater mesmo no fundo.

Há anúncios que ficam sempre bem, mas...

No âmbito do orçamento de Estado para a área da saúde, o Governo anunciou ontem que passaria a comparticipar a PMA no sector privado a cem por cento os tratamentos de primeira linha (inseminação artificial e estimulação ovárica) e a primeira tentativa, ou primeiro ciclo dos tratamentos de segunda linha.
Alberto Barros, um dos precursores da PMA em Portugal, um dos mais acreditados especialistas nacionais, dono de uma clínica no Porto, disse ao PÚBLICO que, com a sua experiência, os critérios de financiamento por parte do Serviço Nacional de Saúde para a PMA feita no privado poucos casos abrangerão: “As pessoas procuram-nos depois de já terem passado por muito. Nos centros em todo o mundo o que mais se utiliza são a FIV e a microinjecção, em especial a última. E para obter uma gravidez fazemos, em média, um ciclo e meio no nosso centro, em geral não menos de dois em qualquer parte”, refere o especialista.

Bye Bye

Mais um jogo, mais uma derrota. Desta vez, ao contrário do último embate, o melhor da partida esteve na exibição, bastante boa na primeira parte, e o pior no resultado adverso que se construiu através de um golo fortuito, fruto de um ressalto em Luisão que traiu Quim. Na retina ficou-me uma primeira parte em que o Benfica conseguiu calar um estádio ruidoso com um jogo consistente em que abundaram as jogadas com mais de 5 passes certeiros e não faltaram oportunidades de golo. Falhadas. Depois o golo, no pior período, mesmo a fechar a primeira parte, e depois uma segunda parte bastante pior, com o Benfica a abusar nas bolas por alto e nos lançamentos longos, o tipo de jogo a que o adversário está habituado. As oportunidades, obviamente, foram rareando, a bola não chegava aos avançados. Como se não bastasse o resultado adverso, para finalizar, quase ao cair do pano, a expulsão por jogo violento de Binya, com ausência certa para o próximo embate e sem substituto à sua altura. Liga dos Campeões, bye bye.

Ficha técnica

Celtic: Boruc, Naylor, Caldwell, Brown (Sno 88 m), Vennegoor (Donati 67 m), Hartley, Jarosik (Killen 67 m), McDonald, Kennedy, McManus e McGeady.

Suplentes: Brown, Zurawski, Riordan e O’Dea.

Benfica: Quim, Luís Filipe, Edcarlos, Luisão, Leó, Binya, Katsouranis, Maxi Pereira (Di Maria 60 m) Rodríguez, Rui Costa (Bergessio 76 m) e Cardozo (Nuno Gomes 76 m).

Suplentes: Butt, Zoro, Nuno Assis, Adu.

Árbitro: Martin Hannson

Disciplina: Cartão amarelo para Maxi Pereira (41 m). Cartão vermelho directo para Binya (84 m).

Golos: McGeady (45 m).

Grupo D – 4ª Jornada

Celtic 1-0 Benfica
Shakhtar Donetsk 0-3 AC Milan

1º AC Milan – 9 pontos
2º Shakhtar – 6
3º Celtic – 6
4º Benfica - 3

Orelhas de Burro



Ane Brun – Song nr. 8



Ane Brun - The Dancer