quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Ministro Séc. XXI

Teixeira dos Santos deu hoje mais uma prova do seu imenso sentido de Estado, ao pedir aos portugueses que se contenham no seu endividamento, reduzindo-o ao mínimo necessário para viver. Observou, de forma contemplativa, que as taxas de juro têm subido nos últimos anos, prejudicando aqueles que contraíram empréstimos numa época de juros mais baixos. Mais do que o estilo, sublinhe-se a forma como um ministro das Finanças vê as taxas de juro subir sozinhas e procede à regulação da agressividade da oferta de crédito por aconselhamento, falando ao coração dos eventuais clientes. Já para não falar do desemprego, da redução do poder de compra e de outras causas de endividamento que, tal como acontece com as taxas de juro e com a desregulação do crédito, Teixeira dos Santos também não tem nada que ver com isso. O nosso senhor ministro não se mete em tais assuntos, de certeza que estava a falar apenas para aqueles que recorrem ao crédito até para comprar chiclets e perfumes para as amantes. Não é só gastar, às vezes também têm que ouvir umas quantas.

A nova Europa

«Setenta por cento dos conselheiros nacionais do PSD aprovaram terça-feira a proposta da direcção do partido que defende a ratificação parlamentar do Tratado da União Europeia, considerando «desnecessária e politicamente inútil» a realização de um referendo.

«Defendemos a ratificação parlamentar para que a Europa possa rapidamente estar em estabilidade institucional», justificou o líder do PSD, Luís Filipe Menezes, numa conferência de imprensa realizada quando o conselho nacional do partido ainda decorria num hotel de Lisboa. Além disso, acrescentou, ao optar pela ratificação do Tratado Reformador da União Europeia Portugal estará a «dar um exemplo de maturidade e crença no projecto europeu».

Questionado sobre o facto do PSD, quando era liderado por Marques Mendes, ter prometido a realização do referendo e do conselho nacional do partido ter aprovado essa mesma proposta há quatro meses, Luís Filipe Menezes disse ter «legitimidade» para defender agora a ratificação parlamentar, recordando que na campanha para as eleições directas já tinha avançado com essa proposta.

Por outro lado, a «Europa de há dois anos e meio não é a mesma Europa de hoje», acrescentou. »

Realmente, não posso estar mais de acordo. A Europa mudou. Temos agora duas Europas e uma nova tipologia de classificação da política e da legitimação democrática, duas dicotomias que têm en comum a sua génese, o sinal claro de reprovação por parte dos cidadãos europeus quanto à construção europeia em curso, nos referendos de 2005, na França e na Holanda. Como reacção ao abanão, no lugar da natural aproximação entre a vontade de quem é eleito e de quem elege, surge no discurso político europeu a dicotomia “alta” política/”baixa” política como expressão do fosso que se abriu entretanto. A “alta” política , paternalista, sabe e diz o que é melhor para todos. Ameaça com o caos que seria gerado pela instabilidade de nova reacção desfavorável da Europa dos cidadãos aos projectos de uma Europa de um directório que não elege e se propõe imunidade eterna. Desvaloriza a vontade dos miúdos rebeldes –ser pelo referendo é prova de imaturidade - da “baixa política”, incapazes sequer de lerem duas páginas dos seus projectos grandiosos, quanto mais de os entenderem. E reflecte-os na reconstrução do edifício da representatividade democrática entre eleitores e eleitos.
Marques Mendes, tal como José Sócrates, prometeu o referendo. Os deputados, tanto do PSD, como do PS, foram eleitos nesse pressuposto e serão avaliados, no final do seu mandato, pelo cumprimento ou não das suas promessas. Em Portugal continuamos, por enquanto, a funcionar num registo de “baixa política”. Assim continuemos por muito tempo e assim seja também na Europa que construamos, a Europa que os eleitos recusam e que a legitimidade democrática exige. Dêem-lhe as voltas que derem, chamem-lhe o que quiserem, o poder em democracia será sempre a expressão da vontade popular, ou então não é de democracia que estaremos a falar, nem tão pouco faz sentido a existência de eleições quando os eleitos se auto-representem.

PEtição pela reposição dos benefícios fiscais

A petição que foi aberta em http://www.petitiononline.com/mtpd/petition.html já ultrapassou as 1100 assinaturas (são 1121 no momento em que este post está a ser publicado - 0.05h). Só no dia de ontem foram mais de 200. Com a sua, as dos seus amigos e as dos amigos dos seus amigos, amanhã serão muitas mais. Assine e divulgue.

Iraque II



«O Presidente francês e o chefe do Governo israelita coincidiram ontem na sua recusa em permitir que o Irão venha a ter a arma nuclear. Nicolas Sarkozy e Ehud Olmert, que almoçaram juntos no Eliseu, concordaram que tal "não é aceitável", segundo o porta-voz da presidência francesa David Martinon.
(...)
O primeiro-ministro do Estado hebreu aproveitou ainda a ocasião para criticar o chefe da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Mohamed El Baradei, que em entrevista ao Le Monde disse: "Não posso julgar as intenções de ter uma bomba nuclear, pois o Irão precisará ainda de mais três a oito anos para chegar a esse nível".

Olmert respondeu afirmando: "Se o senhor El Baradei pensa que uma bomba iraniana em três anos não aflige, a mim inquieta-me, mesmo de forma extrema. Seria preferível que El Baradei fizesse mais para os impedir de ter a bomba".
»

Quem os manda aos iranianos não terem nenhuma bomba? Que culpa têm Sarkozy e Olmert que a Agência Internacional de Energia Atómica não tenha descoberto nenhuma bomba atómica no Irão? A bomba existe, eles é que sabem e vão fazer por prová-lo. Claro, em nome da democracia e contra as forças do mal e o terrorismo.