terça-feira, 30 de outubro de 2007

As reformas do nosso socialismo

Nova sondagem de opinião. Desta vez com uma amostra diferente na quantidade (mais de 800 e não apenas 300 inquiridos), como na qualidade da sua composição (na amostra do "estudo" de ontem avultavam os nomeados políticos, cuja opinião sobre tudo o que se relacione com a actuação do Governo é, como se sabe, sempre uma incógnita). Outra diferença, a sondagem de hoje não foi encomendada pelo Governo nem tem por fim ser apresentada como suporte a nenhuma medida pretensamente consensual. Outra ainda, a de hoje – que luxo! – vem com margem de erro (de 3,46%). Mais diferenças nas conclusões, de sinal oposto ao das maravilhas apregoadas pela máquina mediática ao serviço de José Sócrates e, claro está, no silêncio da rádio pública, que esta manhã não quis aborrecer os portugueses e noticiar a sondagem de hoje. Nem uma palavra, talvez porque ontem já tivéssemos ficado conversados quanto a estudos para a semana inteira. Em comum a ambos, a incógnita quanto à sua tradução em intenções de voto. Ficamos a saber que a maioria não gosta, já sabiamos que a maioria não vota.

«Portugueses com má impressão das reformas do Governo

Os resultados das reformas que o Governo tem encetado em diversas áreas, tais como a administração pública, educação, saúde, justiça, etc., são considerados, pela maioria dos inquiridos no Barómetro da Marktest para o DN e TSF deste mês, «maus».
Segundo a edição desta terça-feira do Diário de Notícias, é neste sentido que se pronunciam 42% dos sondados, contra 33% que os consideram «bons». (…)»

Petição – Reposição dos Benefícios Fiscais

Para que serviam os benefícios fiscais que foram retirados aos cidadãos portadores de incapacidade no OE 2007? Aqui fica um exemplo, na primeira pessoa:

"Sou portador de cão-guia e, com o valor da Isenção Fiscal de IRS permitia-me fazer face às despesas de alimentação, tratamentos Veterinários, medicamentos e outros produtos de higiene do cão, para cujas despesas não existe qualquer comparticipação. Só no último ano de vida da Camila, minha primeira cadela-guia, gastei mais de 2500 Euros em cirurgias consultas veterinárias e medicamentos Tive um retorno de 300 Euros de um Seguro para animais domésticos. O que não descontei para IRS, ajudou a compensar estas despesas para as quais não existe qualquer outra compensação."

Quem vê não necessita de cão-guia, tal como quem não é portador de qualquer incapacidade não tem despesas com um sem número de outras necessidades específicas das pessoas suas portadoras. Note-se bem que os benefícios fiscais nem sequer cobriam todas as despesas decorrentes de uma deficiência ou incapacidade. Tal como pode ler-se “Ajudou a compensar” e não “pagou completamente”. Não há soluções perfeitas, os benefícios fiscais eram uma ajuda preciosa e, mais que isso, eram o resultado de uma evolução social de anos no sentido de esbater a desigualdade de oportunidades que enfrentam aqueles cidadãos, supostamente de pleno direito, e de a sociedade portuguesa demonstrar inequivocamente que não ignorava as suas dificuldades acrescidas. Davam-se os primeiros passos e, apesar de haver muito ainda a fazer, o que foi feito foi destruir o que tinha sido construído até aí, abruptamente. A retirada de benefícios fiscais é um retrocesso social inaceitável, contra o qual pode manifestar-se assinando a petição que está à sua disposição em http://www.petitiononline.com/mtpd/petition.html

Esta causa não é apenas de quem é portador de deficiência, é de toda a sociedade portuguesa. É sua, também. Assine já e divulgue.