sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A diplomacia da nossa democracia



Definitivamente que o respeito pelos Direitos Humanos desapareceu como valor da diplomacia portuguesa. Primeiro, a recusa de receber oficialmente o Dalai Lama, por pressões do regime democrático que vigora na China. Ontem e hoje, o convidado ilustre foi Vladimir Putin, o Presidente de um regime democrático que abate todos os que se cruzem no seu caminho. «Partilhamos os mesmos valores e temos posições próximas para resolver os problemas agudos da actualidade» disse o convidado, ao que o PR anfitrião ripostou com a amizade e a ausência de divergências que sempre marcaram a relação entre os dois países. Só falta mesmo Mugabe, o democrata africano que vem em Dezembro.
O documentário deste post, sobre o assassinato de Aleksander Litvinenko - não sei se é o mesmo que será exibido amanhã no Doclisboa -, atesta bem o tipo de convidados que são sempre considerados bem-vindos por aqueles que foram eleitos como representantes de todos nós.

Que se lixe a concorrência

Da excessiva concentração no sector da energia tem-se dito que há poucos agentes a concorrer no mercado, fruto de décadas de monopólio do Estado, e que há que criar condições para que nele apareçam mais empresas, porque da concorrência entre elas advirão benefícios para os consumidores. Das telecomunicações diz-se o mesmo. Da distribuição de água, novamente o mesmo.
No sector bancário já não é assim. A concentração já não é problema, pelo contrário, e aplaude-se efusivamente a fusão entre BPI e BCP. Parece paradoxo, mas não é: tal como a alienação em bolsa do que esteve/está nas mãos do estado, esta fusão gera ganhos espectaculares no muito curto prazo. Posto isto, que se lixe a concorrência, que se lixem aqueles que percam o seu emprego, que se lixem os consumidores. A hora não é de criticar, os tempos nem estão para isso. Fica bem melhor dizer alguma coisa como um banco maior ficará mais forte para responder aos desafios de um mercado global ou qualquer coisa que inclua as expressões, que explicam tudo, “janela de oportunidades” ou “desafios da concorrência num mundo globalizado”. Quem se lembrará que o que realmente ficará condicionado é a concorrência no mercado português? Bolas! Mercado português? Isso era no passado, nós vivemos no futuro e nunca é demais relembrá-lo.