Isto é uma reacção de viva voz ao famoso “tax cut” (corte de impostos) que foi apresentado aos americanos como um programa que permitiria, num futuro do passado, quando estivessem reunidas as condições, criar 800 mil empregos (acho que já ouvi isto nalgum lado). O resultado foi um claro benefício das classes mais ricas e empobrecimento das mais pobres. Este agravamento das desigualdades é impressionante se atentarmos a que o número de pobres cresceu 14% em apenas 4 anos e há 1 pobre em cada 8 americanos (a proporção anterior era de 1 em cada 9).
A ajudar estiveram ainda os cortes no sector social do Estado, que afectaram Saúde, Educação e Segurança Social, de uma forma tão drástica que, por exemplo, os subsídios que financiavam programas de combate ao analfabetismo, aquecimento de idosos carenciados e apoio a deficientes foram pura e simplesmente suprimidos na maioria dos Estados. O peso daquelas despesas foi reduzido para 15% de um orçamento que privilegia as guerras no Iraque e Afeganistão e os custos do reforço de segurança contra as “forças do mal”, leia-se, terrorismo.
O teor patriótico do “sacrifício necessário” de Bush, tal como o de Sócrates, tem uma meta orçamental. As semelhanças, aliás, são mais que muitas: nas políticas, nos objectivos fiscais, nas opções de política económica, nos resultados no aumento da exclusão social, das desigualdades, do desemprego, na deterioração de salários, todos eles com o selo neo-liberal. Até na reacção deste vídeo, que lembra aquele outro do agradecimento dos Gato Fedorento aos 3%, mas este sem actores.
