quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Thank You President Bush for the tax cut

Isto é uma reacção de viva voz ao famoso “tax cut” (corte de impostos) que foi apresentado aos americanos como um programa que permitiria, num futuro do passado, quando estivessem reunidas as condições, criar 800 mil empregos (acho que já ouvi isto nalgum lado). O resultado foi um claro benefício das classes mais ricas e empobrecimento das mais pobres. Este agravamento das desigualdades é impressionante se atentarmos a que o número de pobres cresceu 14% em apenas 4 anos e há 1 pobre em cada 8 americanos (a proporção anterior era de 1 em cada 9).
A ajudar estiveram ainda os cortes no sector social do Estado, que afectaram Saúde, Educação e Segurança Social, de uma forma tão drástica que, por exemplo, os subsídios que financiavam programas de combate ao analfabetismo, aquecimento de idosos carenciados e apoio a deficientes foram pura e simplesmente suprimidos na maioria dos Estados. O peso daquelas despesas foi reduzido para 15% de um orçamento que privilegia as guerras no Iraque e Afeganistão e os custos do reforço de segurança contra as “forças do mal”, leia-se, terrorismo.

O teor patriótico do “sacrifício necessário” de Bush, tal como o de Sócrates, tem uma meta orçamental. As semelhanças, aliás, são mais que muitas: nas políticas, nos objectivos fiscais, nas opções de política económica, nos resultados no aumento da exclusão social, das desigualdades, do desemprego, na deterioração de salários, todos eles com o selo neo-liberal. Até na reacção deste vídeo, que lembra aquele outro do agradecimento dos Gato Fedorento aos 3%, mas este sem actores.


Uma reforma tardia

A esperança média de vida aumentou e a natalidade diminuiu. Estas duas realidades incontornáveis e a gestão desastrosa dos descontos para a Segurança Social que cada um foi fazendo ao longo da vida fizeram soar o alarme da insolvência do sistema. O remédio mágico imediatamente avançado foi o do prolongamento da vida activa, apesar da perda de direitos adquiridos – cuja constitucionalidade a maioria parlamentar se recusou a submeter a apreciação em sede própria – e apesar do paradoxo da sua articulação com outro dos blablablas dominantes, o do aumento da produtividade, porque não caberá na cabeça de ninguém no seu perfeito juízo fazer aumentar a produtividade geral de um país mantendo velhos no activo e jovens no desemprego.
Um bom exemplo das consequências que podem advir do prolongamento da vida activa fez notícia nos últimos tempos, quando James Watson deu evidências da sua senilidade ao defender publicamente teorias racistas. Sabe-se hoje que sai de cena. No
Público diz que se demite, quereriam dizer reforma-se. Vai tratar dos seus gatos, dos pretos e dos brancos, quais deles os mais espertos.

O Grande Zoo

A propósito de um artigo do El Pais sobre os lucros da maior empresa italiana, a máfia, Rui Namorado escreve no seu “O Grande Zoo”.

«Seria interessante que as instâncias económicas internacionais, que tanto se preocupam com qualquer excesso de protagonismo económico das entidades públicas, nos dissessem o que propõem para combater este "cancro" que corrói o tecido democrático e apodrece o próprio capitalismo. É que não é só a Itália. Também não se podem esquecer nem as "mafias" do leste europeu, nem as tríades japonesas, nem as "mafias" americanas,nem os gangs sul-americanos.

Na verdade, os arautos do neoliberalismo, centrados num unilateralismo economicista que os cega, ignoram a complexidade das sociedades actuais. O sôfrego poder económico dominante, obcecado pela vertigem do lucro rápido, parece esquecer tudo o resto. Uns e outros acabam por ser incapazes de equacionar sequer os problemas que a sua própria hegemonia desencadeia ou agrava.
Na verdade, quando o controle democrático, protagonizado por poderes políticos representativos, esmorece na voragem neoliberal, não são apenas os grandes grupos económicos a ocupar o vazio, são também os agentes do crime organizado a aproveitar a oportunidade.»

Gostei bastante do blog, salta para a coluna da direita.

Mais do mesmo

«Os quase 50 mil funcionários com contratos administrativos de provimento vão ficar isentos em 2008 da contribuição de 1% do seu salário para a Segurança Social, destinada a financiar a protecção em situação de desemprego.
(…)
A isenção de contribuições sociais não significa, porém, que os funcionários contratados em situação precária fiquem sem protecção no desemprego. O diploma determina que "caso a eventualidade de desemprego ocorra no decurso do ano de 2008 compete aos serviços a que os trabalhadores se encontravam vinculados a atribuição e o pagamento do subsídio de desemprego.»

A peça acima é simultaneamente um exemplo da flexigurança socialista-reformista, um capítulo a incluir num manual de como descapitalizar a segurança social e uma demonstração de como no governo de José Sócrates as políticas de emprego foram substituídas por políticas pró-activas de promoção do desemprego. Quanto à economia, as expectativas podem desde já contar com a contracção no consumo de 50 mil consumidores e respectivos agregados familiares, que antecipam tempos difíceis no futuro mais próximo. Bom, estarei a exagerar. O Governo conta com o alheamento geral de quem observa comportamento semelhante ao doente que desconfia estar doente mas prefere não ir ao médico para não se confrontar com a sua doença.

Os rapazes lá ganharam

Um jogo que teve no resultado a sua parte mais agradável. O Benfica continua a apresentar exibições inconsistentes que não entusiasmam ninguém. A insegurança está, pois, para ficar.
Individualmente, gostei das actuações de Bynia, que na ausência forçada de Petit continua a assumir-se como o patrão do meio campo defensivo e de Rodriguez, por muito tempo o único jogador que fazia mexer o ataque encarnado. Não gostei das exibições de Bergessio, uma autêntica nulidade, de Nuno Assis, que não rende nada do lado direito, e de Rui Costa, que se apresentou em jogo muito desgastado e que, mesmo assim, parece que tem que ser encaixado à força no 11 inicial, ainda por cima durante os 90 minutos. Isto aconteça o que acontecer e jogue como jogar. Registo ainda para a colocação dos médios Katsouranis e Maxi Pereira na defesa, com dois centrais e um lateral direito sentados no banco, um bom indicador da desorientação com que no Benfica se preparou a época.

Ficha técnica:

BENFICA - Quim; Maxi Pereira, Luisão, Katsouranis e Léo; Nuno Assis (Di Maria, 61 m), Bynia, Rui Costa e Cristian Rodriguez (Luís Filipe, 83 m); Cardozo e Bergessio (Freddy Adu, 61 m).

CELTIC: Boruc; Caldwell, Kennedy, McManus e Naylor; Donaty (Sno, 62 m) e Hartley; McGeady, Brown e Jarosik; Killen (Mc Donald, 74 m).

Ao intervalo: 0-0

Golo: Cardozo (86 m)

Resultado final: 1-0

Árbitro: Massimo Busacca (Suíça)

Cartão amarelo a Caldwell, Killen, Haltley e Di Maria.

Grupo D:

AC Milan 4 - 1 Shakhtar Donetsk
Benfica 1 - 0 Celtic

1.º, AC Milan, seis pontos;
2.º, Shakhtar, 6;
3.º, Benfica, 3;
4.º, Celtic, 3.