sábado, 20 de outubro de 2007

Corrupção Zero

«Questionado sobre se Portugal é um país de corruptos, Pinto Monteiro afirma que não, sublinhando que "a corrupção maior é a corrupção de Estados" e que "em Portugal não existem as verbas fantásticas do petróleo ou aquelas que vão para África".

"É claro que há tráfico de influências, há a corrupção do `cafezinho` e o `tome lá uns euros para fazer andar`, num país com a burocracia que nós temos", sustentou.»

O que se lê acima é um excerto de uma entrevista (Sol) em que o Senhor Procurador assume publicamente os seus piores receios sobre o seu telefone, suscitados por “barulhos esquisitos”. Que sorte ser-se PGR num país em que não há corrupção. Até se pode dar ao luxo de colocar as escutas telefónicas – as suas incluídas - na primeira linha das prioridades do sistema de justiça nacional.
Confesso, baralhou-me aquela do cafezinho. O que anda então a fazer Maria José Morgado? Não seria melhor fazer uma parceria público-privada com a Delta e colocar alguém daquela empresa no seu lugar, aproveitando, assim, as sinergias positivas que resultariam de uma associação com uma empresa com tradições na produção e distribuição de café? Depois era só ficar à espera e deixar que o simplex resolvesse a burocracia geradora dos tais "euros para fazer andar" e seríamos o primeiro país do mundo a irradicar a corrupção. Ufa! Afinal, ainda bem que não temos petróleo.

O Iraque, visto do lado do "inimigo"

Um documentário de pouco mais de 7 minutos sobre a guerra no Iraque está a levantar um coro de protestos nos Estados Unidos. É que o filme, feito com entrevistas a elementos da resistência iraquiana, mostra uma versão diferente da imagem do iraquiano intrinsecamente mau que é vendida todos os dias aos americanos. Ao colocar a questão de que se calhar os iraquianos não terão razões para agradecer a invasão nem verão os soldados americanos com os melhores olhos, tem o pior dos defeitos, faz pensar, precisamente o contrário do desejável por qualquer regime que conte com o elemento brain washing e com uma comunicação social instrumentalizada para manter os níveis de popularidade em alta. O filme está aqui, no site do New York Times.