quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Propaganda da Terra Prometida

Israel trava uma dura guerra em dois campos de batalha. Na Palestina, que ocupou brutalmente, e nos Estados Unidos, onde a guerra é travada nos média, para que não se veja para além do elemento absorvente de toda a atenção: “eles são terroristas”. Para além dessa cortina ficam todas as mães que não têm um hospital onde dar À luz, todas as famílias que não têm onde e como encontrar sustento, todos aqueles homens e mulheres que periodicamente vêem todos os seus poucos haveres destruídos pelos soldados ocupantes e toda a miséria mais extrema e generalizada. Como se diz na peça, sem que isto se veja, não há coração que dispare. Sem que isto se saiba, não haverá muitos cérebros que pensem no que leva alguém a fazer-se explodir, o não ter mais nada a perder, o partir de um mundo em que os dias são quase todos iguais na exiguidade dos sonhos e na raridade dos momentos felizes. Assim subsiste a verdade oficial, a mentira conveniente que afasta dos olhos de todos a realidade de homens e mulheres a quem tudo o que se oferece é a escolha entre morrer todos os dias um bocadinho e morrer tudo de uma vez.

Isto a propósito de, um dia destes, ter lido para aí numa caixa de comentários a expressão “expansionismo islâmico”. Dá para tudo.

Sócrates e o falhanço dos outros



José Sócrates, na campanha eleitoral de 2005, diz que 7,1% de desemprego são a "marca de uma governação falhada" e de uma "economia mal conduzida". Em Outubro de 2007, com José Sócrates como primeiro-ministro, Portugal tem 8,3% de desempregados e, pela primeira vez em quase 30 anos, a taxa de desemprego é superior à de Espanha, o que exclui a desculpa habitual da conjuntura económica internacional desfavorável.

O nosso brilharete / os três de Sócrates

«O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou ontem a colocar Portugal, durante este ano e o próximo, entre os 30 países avançados do mundo com indicadores económicos mais desfavoráveis e com uma situação mais frágil face aos desequilíbrios nos mercados internacionais.
Tal como já tinha feito no recente relatório específico sobre a economia portuguesa publicado na semana passada, o Fundo avançou ontem, no relatório semestral sobre a economia mundial, com uma estimativa de crescimento de 1,8 por cento, tanto em 2007 como em 2008. Com este valor, Portugal regista este ano, entre os 30 países do mundo considerados avançados, o segundo pior resultado, apenas à frente da Itália. Em 2008, apesar de se antecipar um abrandamento à escala mundial, apenas ultrapassa mais um país, a Dinamarca. Com a zona euro a crescer a uma taxa de 2,1 por cento, o Fundo antecipa que Portugal passe mais um ano sem convergir face aos seus parceiros.
O ranking nacional não melhora muito quando o FMI avança com previsões para outros indicadores. Em relação à inflação, os 2,4 por cento antecipados para o próximo ano são o quarto valor mais elevado da zona euro e o 11.º entre os países avançados. A estimativa do Fundo para a inflação merece, no entanto, algumas reservas porque, para 2007, a estimativa é de 2,5 por cento, quando os últimos indicadores do INE apontam claramente para uma taxa de inflação no final do ano de 2,3 por cento.» Continua, no
Público

Coincidências

«No QREN, os recursos disponíveis para a qualificação representam 37 por cento do total dos fundos comunitários, quando no passado nunca atingiram mais do que 26 por cento", afirmou José Sócrates. O primeiro-ministro falava na cerimónia de assinatura dos programas operacionais do novo quadro comunitário, que prevê a transferência de cerca de 21.500 milhões de euros para Portugal até 2013.

Segundo os seus cálculos, a aposta este investimento na qualificação "é a mudança mais significativa, atingindo cerca de seis mil milhões de euros". »

Milhões para Portugal, a Europa é boa. Foi esta a mensagem que se transmitiu ontem, o dia escolhido para anunciar o novo Quadro de Referência Estratégico Nacional, na véspera do dia que se quer histórico para o ego de Sócrates e para o Tratado Constitucional Europeu do directório, negociado à revelia dos cidadãos europeus. Estes não necessitam de se preocupar com coisas complicadas e aborrecidas como o texto do dito, apenas absorver a ideia “a Europa é boa”, que podem comprovar pelos milhões anunciados ontem. O dia foi escolhido ao acaso , apesar de os milhões do QREN já terem sido decididos há vários meses. Ele há cada coincidência.