Israel trava uma dura guerra em dois campos de batalha. Na Palestina, que ocupou brutalmente, e nos Estados Unidos, onde a guerra é travada nos média, para que não se veja para além do elemento absorvente de toda a atenção: “eles são terroristas”. Para além dessa cortina ficam todas as mães que não têm um hospital onde dar À luz, todas as famílias que não têm onde e como encontrar sustento, todos aqueles homens e mulheres que periodicamente vêem todos os seus poucos haveres destruídos pelos soldados ocupantes e toda a miséria mais extrema e generalizada. Como se diz na peça, sem que isto se veja, não há coração que dispare. Sem que isto se saiba, não haverá muitos cérebros que pensem no que leva alguém a fazer-se explodir, o não ter mais nada a perder, o partir de um mundo em que os dias são quase todos iguais na exiguidade dos sonhos e na raridade dos momentos felizes. Assim subsiste a verdade oficial, a mentira conveniente que afasta dos olhos de todos a realidade de homens e mulheres a quem tudo o que se oferece é a escolha entre morrer todos os dias um bocadinho e morrer tudo de uma vez.
Isto a propósito de, um dia destes, ter lido para aí numa caixa de comentários a expressão “expansionismo islâmico”. Dá para tudo.
