quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Cada tiro, cada melro

«O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, anunciou hoje que os «consulados virtuais» vão estar operacionais a partir do fim de Outubro, permitindo o tratamento da maior parte dos assuntos pela Internet, incluindo obtenção de vistos, escreve a Lusa.» (*)

Digam o que disserem, este plano tecnológico faz maravilas. E eu que pensava que havia regras nacionais e internacionais que obrigavam a que os vistos tivessem que ser tratados presencialmente.

(*) Texto gentilmente enviado por um leitor, via mail, que agradecemos

Nobel do disparate

«"Os negros são menos inteligentes que os brancos". A teoria é defendida pelo conceituado biólogo James Watson, detentor do Nobel da Medicina em 1962 pela descoberta da estrutura molecular do ADN. As suas declarações foram publicadas numa reportagem do Sunday Times e já estão a gerar polémica.

Para o cientista, de 79 anos, "toda a nossa política social é baseada no facto da inteligência dos africanos ser igual à nossa, embora todas as experiências nos digam que não é bem assim". Para completar a sua teoria, James Watson, que é o responsável pelo prestigiado laboratório Cold Springs, acrescenta que "embora desejasse que todos fossemos iguais, quem tem de lidar com empregados negros sabe que tal não é verdade".»

Onde estão essas “todas as experiências”? Em lado nenhum. Apesar das várias tentativas, nunca se conseguiu comprovar cientificamente esta tese racista e, mais que isso, ela foi completamente refutada e posta de lado. Fica o apontamento de mais uma, desta vez não científica, apenas retórica, e da demonstração inequívoca de que a idade não perdoa. Sobre a Academia Nobel, pois vamos constatando que é uma instituição que atribui uns p´remios anualmente.

Hahahahahaha

Novas tendências da moda

«nos señala este gadget que quizá le venga muy bien a los amantes del campo que no sean capaces de separarse de su portátil o su móvil cuando plantan la tienda en mitad de la montaña, o a quien sea un consumidor compulsivo de energía, el caso es que la mochila Voltaic backpack permite almacenar en una batería energía para nuestros aparatos. Varios adaptadores sirven para conectar la batería con diversos aparatos y proporcionar un voltaje de 5, 6 y 7,2 voltios. Las baterías se cargan completamente en unas 8 o 10 horas con sol, un teléfono móvil tardará entre 4 y 6 horas y un iPod entre 6 y 8. La mochila la vende Voltaic Systems y cuesta unos 230 dólares.»

O texto foi encontrado no “Trendencias”, um “blog dedicado al mundo de la moda y las últimas tendencias. Para ellas y para ellos”. Procurámo-lo porque foi com uma indumentária que incluía mochila semelhante que um “ello”, o Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, Carlos Zorrinho, se apresentou diante das câmaras e microfones. Uau! O nosso intrépido Zorrinho justificou tais preparos com a intenção portuguesa de apresentar objectos que simbolizem o desígnio nacional contido no plano tecnológico que dirige. Explicou ainda que na misteriosa mochila – estas coisas tecnológicas têm sempre que incorporar uma carga de mistério – estava uma fantástica bateria de energia solar de última geração, desenvolvida pela Universidade do Minho, com a qual se poderiam – fantástico! – carregar telemóveis e IPODs.
“Depois da chuva de portáteis, sol na bateria!” Sempre fomos bons a fazer provérbios e a inovação da apresentação de hoje esgotar-se-á aí. A bateria, bem como a mochila e o Sol, já foram inventados há muito tempo. Tal como o google, que o senhor coordenador poderia ter usado para retirar essas informações. Já agora, quanto foi investido para desenvolver uma bateria tão inovadora que até já é comercializada? Não, não é uma pergunta, é apenas uma proposta para um dos objectos simbólicos que se propunha apresentar.

Progresso e pobreza

O desmantelamento da classe média a que temos assistido em Portugal pode bem traduzir-se pela concentração de 80% da riqueza nos 20% mais ricos. Este desmantelamento aumenta o risco de se cair nas malhas da pobreza, pobreza essa que assume hoje em dia novas formas e tem novos rostos. Hoje em dia,trabalhar não é suficiente para não se ser pobre. Há, pois, que repensar toda a orientação das políticas públicas, no sentido de assegurar mais estabilidade e melhor redistribuição do rendimento, para que no conceito de progresso não se inclua mais e mais pobreza.

«
As famílias atingidas pelo desemprego e endividamento são os novos rostos dos dois milhões de pobres que existem em Portugal. A chamada classe média, esganada pelos créditos ou apanhada nas malhas do desemprego crescente, constitui uma nova forma de pobreza, que desafio os estereótipos associados a esse fenómeno. Hoje, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, milhares de pessoas levantam-se para lembrar

As estatísticas do Eurostat revelam que 20% da população portuguesa vive na pobreza. Dois milhões de pessoas, portanto. Na União Europeia, a taxa de pobreza situa-se nos 16%, o que coloca Portugal no top 10 dos estados-membros mais pobres.

Os números não são novos. O padre Jardim Moreira, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, diz mesmo que há décadas anos que se fala nessa percentagem. "Com tantos milhões de euros em programas contra a pobreza, porque é que o número de pobres não diminuiu?", questiona.

Para perceber, comecemos pela definição técnica de pobre. É considerado pobre quem ganha menos de 60% da mediana dos salários do seu país. Isto é, quem tem rendimentos inferiores a 60% do vencimento auferido por metade da população. No caso de Portugal, corresponde a 360 euros por mês, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística referentes a 2004.

O conceito de pobre varia, portanto, de país para país. O que significa que os 68 milhões de pobres que existem na União Europeia têm níveis de vida muito diversos. Um pobre na Suécia viveria confortavelmente em Portugal ou na Lituânia.

Ter emprego não significa estar acima do limiar de pobreza. O mito de que só quem não trabalha cai nas malhas da miséria é desmentido pelos números 14% dos portugueses que trabalham estão em risco de pobreza, de acordo com dados da Rede Europeia.»