segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Para onde foi o camarada?

Desapareceu do youtube o video com o camarada Durão Barroso, que postámos aqui.

Gostei de ler

A Outra Face

Hás-de voltar aqui, hás-de sentir
a estupidez do mundo como um pêndulo
batendo a horas certas
ao ritmo dos dias, das semanas,
dos meses ou dos anos que, sem dares por isso,
hão-de passar velozes até dissolverem
o céu e o inferno e os teus últimos
rastilhos do orgulho. Hás-de aprender
a amar os que te odeiam
e a afogar a tua bílis negra
no caudal desse rio a que chamas
perdão ou esquecimento.

Hás-de voltar aqui, hás-de envergar
essa coroa de espinhos que te assenta
tão bem, hás-de mentir
de novo a essa gente, obedecer
com um sorriso inócuo ao seu tráfico
de pequenos conluios burocráticos,
às rasteiras da inveja, aos mais iníquos
crimes humanos — tudo isso
a que mais tarde alguém há-de chamar
simplesmente injustiça.

Hás-de voltar aqui, hás-de saber
dar-lhes a outra face.

Fernando Pinto do Amaral
Via “Da Literatura

Sócrates, os aplausos e as críticas

Durante este fim-de-semana estabeleceu-se um diálogo curioso entre José Sócrates e as organizações sindicais de professores. Tudo começou na Sexta-feira, nas celebrações do 5 de Outubro, em que o PR Cavaco Silva deu o mote ao incluir no seu discurso a necessidade de prestigiar a figura do professor. José Sócrates não tardou a acusar o toque e disse, textualmente, que “o Governo não ataca os professores, ataca os problemas da Educação e é preciso que não se confundam professores com sindicatos”. Sintomático.
Os sindicatos responderam no Domingo, com uma carta que foram entregar ao próprio a Montemor-o-Velho, onde o primeiro se havia deslocado em operação de charme inauguradeiro, e em que podia ler-se que em democracia os sindicatos são necessários, ao contrário dos maus governantes, que são dispensáveis. Nada mais simples, demasiado simples.
Mas o diálogo teve outros intervenientes não inesperados. Desde logo, as forças policiais que tentaram demover os dirigentes sindicais da sua intenção de entregar a missiva e os
rodearam com uma fita plástica, retirando-lhes ainda uma faixa com uma mensagem para o primeiro-ministro. Mário Nogueira identificou então o problema. É que eles, ao contrário de outros a quem a GNR não dispensou tais mimos, não estavam ali para aplaudir José Sócrates. Seja! Prometeu aplaudir. Aplaudimos todos, Sócrates fica contente. Outro interveniente não inesperado foi o fantasma do PCP, que Sócrates viu e não hesitou em denunciar publicamente. Depois de vincar a diferença entre professores e sindicatos, que não são a mesma coisa, nova diferença: "o Partido Comunista confunde o direito de se manifestar com o direito de insultar. Não são a mesma coisa". Realmente, não são. Por exemplo, remunerar professores a 4 euros à hora é um insulto a que há que manifestar desagrado, com o natural desagrado de quem manda, que pode bem dizer o que quiser.
Novo interveniente, desta vez inesperado, e nova diferença. Medina Carreira, que argumenta que ser detentor de um diploma e deter conhecimentos e competências não são a mesma coisa e que de nada vale a Portugal ter diplomados no papel e ignorantes na prática. Tem razão, de nada vale ter um diploma se ele não traduzir uma aprendizagem. E, de novo, uma diferença: Medina Carreira e os comunistas não são a mesma coisa.

Teve que ser mesmo ali

Uma torrente de diarreia inundou a Avenida da Liberdade, este fim-de-semana. o espectáculo deplorável, que reuniu os piores entre os piores, numa parada de mau gosto em desfile para celebrar o 15º aniversário da estação de televisão SIC. O evento, cultural, foi devidamente autorizado. Interrompeu-se uma das principais artérias da capital portuguesa, com todos os inconvenientes para o trânsito e para as pessoas que circulam pela cidade. É que não havia outra opção de localização e, tal como nas apertadinhas de uma aflição intestinal, teve que ser mesmo ali. E foi.