quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Quem te vê

E quem te viu. Este é aquele que, muitos anos mais tarde, na pele de operário mordomo, viu-se e desejou-se para aparecer nas fotografias com os patrões, na reunião onde se decidiu a guerra na pátria dos camaradas iraquianos. Foram tantas as vénias e mimos ao patronato, que até arranjaram um tacho em Bruxelas ao rapaz. O camarada do filme, agora camarada-patrão, nunca perdeu o vício da vénia à grande América e lá vai fazendo pela vidinha.

Galp: "energia positiva"

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- Pai, o que é um cartel?
- Meu filho, a variação da cotação das acções da GALP nos últimos 6 meses foi de
57.83%.
- Ah! Então é bom, não é, pai?

Manuel Special

Andei à procura das imagens do nosso ministro da economia que vi na televisão. Imagens semelhantes àquelas em que se via o special one a arrancar de carro a alta velocidade, que foi precisamente o que o ministro fez a seguir a ser questionado sobre os números do desemprego. Era o que faltava, responder! Isso é com o ministro do emprego, ele é ministro da economia, nada que ver.
Não encontrei o que procurava, mas encontrei este outro, em que mais uma vez o Manuel Pinho das nossas almas dá mostras de ser tão ou mais special que o outro. São imagens de 15 de Julho, o dia em que a crise finalmente acabou mas afinal não acabou. E não acabou mesmo. Ai, Manelzinho, Manelzinho, quem não te conhecer que te compre.

Para inglês ver

«Ainda não tinha chegado a hora do almoço e a sentença já estava ditada: Gonçalo Amaral ia deixar a directoria da PJ de Portimão e a condução do caso Madeleine. A decisão, solitária, foi tomada pelo director-nacional da Judiciária, Alípio Ribeiro, que ainda ouviu alguns colaboradores próximos e só depois de consumada a saída informou o ministro da Justiça, Alberto Costa. (…)»

A repercussão da pressão dos media britânicos, ofendidos com as declarações do agora demitido, faz-se sentir em Portugal e o ministro é o último a saber. Com enorme estardalhaço se dá força à campanha de descredibilização da nossa PJ e à versão que coloca Portugal na lista de países a evitar. A evitar também, o confronto com o casal que até foi recebido pelo santíssimo papa.
Havia alguém que estava a estragar o final feliz de uma história dramática apaixonante e agora finalmente tudo vai correr melhor. O facto de o desemprego português ter ultrapassado o desemprego espanhol, pela primeira vez em 20 anos, é tema desinteressante que fica fora do nosso folhetim do momento. O senhor ministro até disse que é coisa a que não se deve dar importância...

Vital Moreira: "Conta-se até, caricaturalmente, que entre os que declaram deficiência visual se contam... cirurgiões!"

«Toda a gente sabe que há abuso de declarações de deficiência para efeitos fiscais. Conta-se até, caricaturalmente, que entre os que declaram deficiência visual se contam... cirurgiões!
Infelizmente não basta verificar se as declarações fiscais se encontram documentadas. O problema é sempre o mesmo: a facilidade (e a impunidade) com que em Portugal se fazem falsas certificações médicas de doença, de deficiência, de incapacidade, etc. Por isso, um pouco mais de rigor, precisa-se. Para que só beneficie das regalias e isenções legais quem realmente preencha os respectivos requisitos. «Assina Vital Moreira, no
Causa Nossa (salvo seja)

Não tivesse este post data de 20 de Agosto e ousaria pensar – oh, presunção a minha! – que o seu autor, lá do alto das suas tamanquinhas, estaria a responder ao post que podem ler aí em baixo ou a um mail que recebeu a alertá-lo para o mesmo. Para o efeito proposto, o de sabermos a sua opinião, serve na perfeição.
No que leio, não podemos estar mais de acordo: a fraude e o aproveitamento, neste como em qualquer outro tema, são absolutamente reprováveis e devem ser combatidos. Mas a mesma reprovação merecem os “conta-se até”, em que se lançam suspeições não concretizadas sobre toda uma classe, e que mais não são que o aproveitamento do aproveitamento inicial, a partir do qual se constrói um discurso que legitima a retirada da protecção social em causa. Em bom português será um “vocês deixam de ter isenções fiscais em sede de IRS porque parece que há para aí uns quantos, entre os quais cirurgiões, diz-se, que se aproveitam e falsificam as declarações de incapacidade. Como o Estado e os poderes públicos não têm nem capacidade nem vontade de fiscalizar – atritos com médicos dão sempre chatice da grossa – lixem-se para aí e paguem vocês do vosso bolso a vossa inclusão.”

É paradoxal ler o “diz-se” escrito por mãos que apregoam tanta moralidade e rigor. Dizem-se tantas coisas: que há corrupção na classe política; que há captura da justiça pelo poder político; que o ex-ministro tal que saltou para a empresa tal e a favoreceu enquanto ministro; que o partido tal favoreceu a empresa tal e tal porque esta lhes manda dinheiro pelo Jacinto Leite Capelo Rego; que o árbitro sicrano roubou o Benfica; que a vizinha do prédio ao lado põe os cornos ao marido. Umas verdadeiras, outras falsas. Dizem-se muitíssimas coisas que, caso não fundamentadas e caso haja ofendidos, para além de uma evidência de mau gosto que descredibiliza o seu autor, quem as diz pode ter de responder por elas em tribunal, passados, é certo, muitos, muitos anos. Talvez por tudo isto a Ordem dos Médicos não se tenha dado ao trabalho de reagir às falácias, já costumeiras, do Professor. Ou então pelo "caricaturalmente", que o salvaguarda. Estaria só a brincar.

E o Sócrates, que dizem que não é engenheiro?