quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Tudo em ordem

«Os licenciados em Direito vão ter de estagiar dois anos e meio, caso pretendam seguir advocacia, por força da aplicação do Acordo de Bolonha (…). Esta regra abrangerá os candidadtos que frequentam o segundo curso de estágio de 2007 e impõe-lhes um acréscimo de seis meses de formação, comparativamente aos anteriores cursos promovidos pela ordem dos Advogados(OA).»

O que deixou de aprender-se na faculdade, passa agora para depois dela, sem apoio social escolar. Mais seis meses de trabalho a título gracioso ou, quando há lugar a remuneração, mal pago e tardiamente. Quem tiver meio de sustento, aguenta-se, quem não tiver, que escolha outra profissão. Este é o método de selecção natural escolhido pela Ordem dos Advogados, sob o olhar atento e conivente de um governo socialista-reformista que esfrega as mãos de contente. Afinal, sempre se poupam uns cobres valentes.

Casos "high", ataques "low": não dá, pá!

O advogado José Maria Martins pediu a reabertura do processo relativo à licenciatura de José Sócrates, em requerimento que dirigiu ao juiz de instrução do Supremo Tribunal de Justiça. «De acordo com o advogado, decorrem dos autos indícios suficientes para que o primeiro-ministro venha a ser julgado, nomeadamente pelos crimes tipificados como "tráfico de influências" e "favorecimento pessoal".»

Como dizia no post anterior, Portugal está doido. Está mesmo. Então não sabe o Sr. Dr. Martins que isto é um “ataque baixo”? E que em Portugal nem sequer vale a pena perder muito tempo com estes “casos altos” que nunca vão a julgamento, também não sabe? Vá, vamos mas é todos trabalhar, que é disso que o país precisa. Elevação!

O país está doido

«O social-democrata Pedro Santana Lopes abandonou ontem uma entrevista que estava a dar à SIC Notícias sobre as eleições do PSD depois da sua intervenção ter sido interrompida por um directo sobre a chegada de José Mourinho a Lisboa. "Eu vim aqui com sacrifício pessoal, e sou interrompido por um treinador de futebol… Acho que o país está doido", afirmou Santana Lopes, antes de sair dos estúdios.»

“Uma atitude desproporcionada”, no comentário de Ricardo Costa, director de informação da estação. “O país está doido”, no desabafo de Santana Lopes. Acabo por ter de concordar com o segundo. Não por gostar ou não da personagem, tão pouco por vislumbrar qualquer sacrifício em alguém que está a fazer o que mais gosta, aparecer na televisão. Mas, realmente, quando o canal informativo de referência português interrompe a programação e subalterniza um tema tão importante como as eleições internas do maior partido da oposição a um directo que faz a cobertura da chegada de alguém que iria dizer, já se sabia, que vem para Portugal para disfrutar da calma e da família, gostemos ou não de Santana Lopes, gostemos ou não do PSD, revela falta de respeito pelo entrevistado e pelos espectadores e é mesmo caso para dizer que o país está doido.