skip to main |
skip to sidebar
João Pacheco foi o distinguido deste ano na categoria revelação do prémio Gazeta, a mais importante e prestigiada distinção do jornalismo português. Para além do prémio, merece também forte aplauso a revelação do jornalista, em forma de dedicatória e que abaixo reproduzimos. Foi feita na presença de Cavaco Silva, que presidiu à cerimónia, e do Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, que esteve em representação do Governo. Como poderãoconcluir, depois de a lerem, o evento mereceria documentação em suporte video que testemunhasse o reflexo das tonalidades verdes do discurso na verdura das suas expressões faciais.
«Não sei se é costume dedicar-se este prémio a alguém. mas vou dedicá-lo. A todos os jornalistas precários. Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato. Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença, nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos. Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada – no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais – o que está em causa é a democracia. E no caso específico do jornalismo está em risco a liberdade de imprensa.»
O fotógrafo italiano Oliviero Toscani tornou-se conhecido com a célebre campanha publicitária da marca Benetton, durante os anos 90, feita através de fotografias chocantes de vítimas do HIV em outdoors. Oliviero Toscani regressa agora e com nova polémica. Desta vez a sua objectiva tenta chamar a atenção para a anorexia, tantas vezes causada pelos estereótipos fomentados pelo mundo da moda, a explicação oficial, objectivo conseguido e superado. Nas bocas do mundo ficam também a marca que usa a foto na sua campanha e a “fashion week” de Milão, onde a fotografia da francesa anoréctica Isabelle Caro, 27 anos, 1,65 m e 30 kg – talvez estes dois últimos dados sejam os mais relevantes para quem lê – pode ser vista em outdoors colocados por toda a cidade e por todo o país no jornal “La República”, juntamente com a frase “Anorexia não” e o detalhe do nome da marca “Nolita”, que pagou a campanha. Quando uma marca usa e paga a imagem de uma doente anoréctica, que deveria estar num hospital e não a trabalhar, estará a premiar a anorexia da modelo ou a chamar a atenção para o problema? Em vez dos nobres propósitos, não estará antes a servir-se da anorexia para ganhar notoriedade e, com isso, a fomentá-la através de uma imagem que servirá como referência de beleza às doentes anorécticas que a vejam , padrão acima do qual se acharão “gordas”? Isto é cruel e absolutamente reprovável. Mais ainda porque a reacção geral não vai muito para além do comentário piedoso e da curiosidade mórbida e, nos meios eruditos mais "light", fica-se pela veneração pela arte do fotógrafo, porque, afinal, arte é arte, não se questiona, o tipo é famoso e, máximo dos máximos, até é polémico.
Alguém faz ideia do que se discutirá na Cimeira euro-africana mais do que a presença do ditador Robert Mugabe?
«A disponibilização de fundos de pensão públicos, complementares ao sistema tradicional da Segurança Social, está prevista na nova Lei de Bases, que mereceu o acordo de todos os parceiros sociais, com excepção da CGTP. Ao contrário do sistema de Segurança Social que funciona numa lógica de repartição (os descontos dos trabalhadores financiam directamente as pensões dos actuais reformados), estes fundos são de capitalização: os trabalhadores podem colocar aí poupanças adicionais, que vão rentabilizando ao longo dos anos de acordo com os resultados da sua gestão financeira, que fica a cargo do Estado. (…)»
Comecei a ler a peça e agradou-me a ideia de ver o Estado em concorrência com o sector privado no mercado dos fundos de pensões. É um sector muito lucrativo, Não vejo razão para que o sector público abdique de ter uma posição no mercado e não retire também lucros que equilibrem o sistema de pensões público, deixando-os inteiramente à mercê dos privados. Isto sim, seria competir e fomentar um sector público moderno e competitivo, que a cantiga do “o privado é que é bom” já cansa, de gasta que está. Lia, ia gostando do que lia, mas durou pouco.
«Porém, o ministro já deixou claro que estes fundos não serão de benefício definido, o que significa que os aforradores não terão garantias quanto ao complemento de pensão que vão receber. O mesmo sucede, de resto, com os actuais fundos de pensões disponibilizados pelo sector privado, designadamente por companhias de seguros.»
Aqui começou a desagradar-me. Seria importante para os consumidores que a informação sobre as garantias dos PPR privados fosse mais detalhada. Estou convencido que a maior parte dos portugueses que aplicam poupanças em PPR pensa que estes são um produto 100% seguro. Eu, pelo menos, pensava que sim. Bom, mas o texto prossegue, em extensão e desagrado. Saltemos umas linhas.
«Apesar da gestão destes fundos caber à Segurança Social, o secretário de Estado confirmou a intenção em ceder parcialmente a sua gestão a entidades privadas. O mesmo se vai passar com o gigante fundo de estabilização financeira da Segurança Social, que acumula actualmente cerca de sete mil milhões de euros, dos quais cerca de 600 milhões deverão ser geridos por privados, após realização de concursos públicos.»
Confesso que, quando comecei a lê-lo, o artigo me surpreendeu. Afinal era só o anúncio de mais uma negociata que segue o princípio básico de gestão privada “ se não tens capacidade para gerir a tua empresa, vende-a ou trespassa-a”, com equivalente tradução de incapacidade em “se não consegues reestruturar, privatiza” no sector público. Em ambos, quando reestruturar e reformar forem sinónimos de transferência de gestão, as reformas e reestruturações tornam-se tarefas ao alcance de qualquer um, assim haja quem compre.