segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Uma excepção à regra

O tema da inclusão dos cidadãos portadores de deficiência e o da retirada de benefícios fiscais a esta população, já aqui trazidos por várias vezes ao PB, à semelhança do que acontece com a nossa sociedade, não costuma incomodar uma blogosfera mais atenta a temas bastante menos constrangedores. Não foi o caso do Daniel Oliveira, que deu um empurrãozinho e chamou a atenção para a existência do blog do Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência em Defesa dos Benefícios Fiscais. Saúde-se a excepção à regra e votos de que se lhe sigam outras.

Duelo entre piores

O PSD de Marques Mendes arrastava-se, à espera de novo líder que fizesse o partido sair da crise e lhe desse um novo vigor. Normalmente é assim, quando as lideranças se renovam, os partidos ganham energias reforçadas, surge uma nova linha de rumo, uma nova estratégia, aparecem novas ideias, alimenta-se a esperança.
Com o PSD nada disso aconteceu. Vieram as intercalares, anunciaram-se candidatos, desapareceram candidatos. Todos menos dois. E veio a campanha. No lugar das novas ideias, apenas o lugar, sem ideias. Um deserto em forma de disputa pela a liderança do – era-o – maior partido da oposição, em que sobressaem, a cada minuto que passa, o desgaste causado pelo atoleiro de porcaria que ela deu a conhecer ao país: Eu compro, tu manobras, ele acusa. Um partido, que já foi alternativa de governação, que foi o maior de Portugal, diluído na pequenez do caciquismo próprio de eleições para uma qualquer associação recreativa de uma aldeola perdida nos confins do fim do mundo.
Quem vai ganhar é pergunta que já não interessará a muitos mais que aos próprios interessados e seus pajens. Os demais já perceberam que o PSD pulverizou-se neste duelo entre piores, em que não haverá um "melhor" vencedor, apenas um "pior" perdedor. Perderá aquele que jogue menos sujo. Perderam o PSD e a democracia portuguesa.

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Quatro sociais-democratas terão pago largas centenas de quotas de militantes do PSD nos últimos dias. Estas irregularidades foram comunicadas pelo secretário-geral do partido, Miguel Macedo, ao Conselho de Jurisdição (CJ), que hoje reúne para analisar o problema.
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Mas a principal questão é a dos Açores, onde apenas 36 dos 8218 militantes têm as quotas em dia. Apesar disso, o PSD-Açores reclama direito generalizado de voto para a escolha directa do presidente nacional do partido, que decorre na próxima sexta-feira.
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Miguel Macedo transmitiu ao CJ a existência de irregularidades em locais tão diferentes como a Figueira da Foz, Amadora, Linda-a-Velha e Famalicão. Na Figueira, por exemplo, alguém pagou mais de 200 quotas de militantes, no mesmo terminal de multibanco, por volta das duas da madrugada - tudo num intervalo de poucos minutos. (...)»

El perfecto más que perfeito

Na foto, roubada do Público, podemos ver Fidel Castro e José Eduardo dos Santos, que estiveram reunidos ontem para falar dos outros “problemas complicados da Humanidade e que afectam mais os povos das nações mais pobres”. Dos outros, não deles próprios. De Angola, um dos países mais ricos do mundo, com um presidente com uma fortuna que figura no top 10 mundial e onde a pobreza extrema afecta mais de dois em cada três angolanos. Um problema que não incomoda o outro problema complicado da Humanidade que é o comunismo da sociedade com classes do regime, também corrupto, de Fidel, onde os membros do partido não sentem quaisquer privações fruto de um embargo comercial com mais de 40 anos.
No encontro, adivinha-se pois a sintonia entre os chefes de Estado de dois regimes corruptos, ditatoriais, onde os Direitos Humanos e a Democracia são “coisas próprias de países onde qualquer idiota pode dar opiniões”. E, como se isto não bastasse para um entendimento a 100%, um tem e vende petróleo, o outro não tem e compra petróleo. ¡Hombre! ¿Qué más uno necesita para lograrse el perfecto mais que perfeito?

Um sapateiro a tocar rabecão

Marcelo Rebelo de Sousa, na sua oração semanal de sapiência de ontem, comentava que a punição aplicada pela UEFA a Scolari foi excessiva. Argumentou com a comparação com a sanção que foi aplicada ao jogador da selecção sérvia, menor que a aplicada ao treinador português. Uma injustiça, porque ao sérvio foi exibido o cartão vermelho e ao treinador português não foi exibido qualquer cartão. Não sabe o Sr. Sabe-tudo que, segundo orientação da FIFA International Board, já há algum tempo que as advertências a treinadores e outros elementos técnicos e dirigentes que estejam sentados nos bancos já não se fazem pela exibição de qualquer cartão e sim apenas por anotação e indicação verbal de expulsão, quando esta seja aplicada.