sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Saúde virtual

O tamagoshi foi um dos primeiros brinquedos virtuais. Lançado pela Bandai em 1996 no Japão, rapidamente se tornou popular à escala global e por todo o mundo se pôde ver a preocupação estampada no rosto daqueles que, com a melhor cara de estúpido que podiam e sabiam fazer, cuidavam do (chamaram-lhe) animalzinho virtual como se fosse real, dando-lhe carinho virtual, comida virtual, banho virtual, cuidados de saúde virtuais, etc.

Pode ler-se na imprensa de hoje que foi encontrada em Portugal uma nova utilização terapêutica para o brinquedo, para ministros que dizem coisas como a que podem ler abaixo:

«
Após a entrevista de Correia de Campos ao jornal partidário ‘Acção Socialista’, O ministro admitiu ter conhecimento de casos que ilustram uma gestão muito pouco rigorosa. “Hoje sabemos e temos informação objectiva de que havia médicos escalados para horas extraordinárias que nem sequer punham os pés no hospital.” Segundo Correia de Campos, esta situação não se limitava a dois, três ou quatro casos: “Era algo que estava a tornar-se banal.” (…)»

Mais adiante, no mesmo texto, podemos constatar a prescrição médica do brinquedo:

«
Carlos Santos, dirigente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), não tem dúvidas de que o ministro devia ter actuado de imediato e, como não o fez, deve deixar o cargo que ocupa: “Essa situação envergonha o País. É grave o ministro saber do caso e não ter tomado de imediato medidas que levem ao procedimento disciplinar, porque houve um roubo ao Estado, aos dinheiros dos contribuintes. Se não tomou medidas é um irresponsável e devia ser demitido.”»

“Devia ser demitido”, leia-se, devia ir brincar com o tamagoshi. Tanto no caso de as declarações do ministro da nossa saúde virtual serem verdadeiras, pela confissão involuntária da incompetência de quem tem conhecimento de uma irregularidade grave e não actua (a competência exigível para brincar com o tama é mínima), como no caso de serem virtuais. Afinal, um ministro que tem a irresponsabilidade de apresentar uma realidade virtual ao país como verdadeira, fazendo pairar a suspeição sobre a classe que supostamente dirige, deve mesmo ir para o mundo a que pertence.

Nota: caso a sua opção recaia sobre a versão 2 do brinquedo, que vem equipada com um sensor de infravermelhos que permite que os tamagoshi se comuniquem entre si e tenham filhos, o seu brinquedo será facilmente identificável em trabalho de parto dentro de uma ambulância numa qualquer auto-estrada do país.

Observação

O valor que uma empresa de segurança cobra ao Estado pelos minutos que dura uma deslocação quando soa o alarme numa instituição pública é sensivelmente igual ao valor do salário diário auferido por um técnico superior (47 euros).

Ensino Superior Público: crónica de uma morte anunciada

«Lisboa - O primeiro-ministro, José Sócrates, preside hoje à assinatura dos primeiros protocolos de adesão ao sistema de empréstimos para estudantes do Ensino Superior, ao qual já aderiram sete instituições bancárias, adiantou a agência Lusa.
(…)
Pelo diploma aprovada a 23 de Agosto em Conselho de Ministros, as instituições bancárias acordaram disponibilizar a partir do presente ano lectivo um novo sistema de acesso automático ao crédito pelos estudantes do Ensino Superior.
«Este novo sistema acresce aos mecanismos de acção social escolar e é fortemente marcado pelo princípio da universalidade», sublinha um documento do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Ensino Superior.» in
Jornal Digital (7 de Setembro de 2007)

«O valor da propina anual no 1.º ciclo do Ensino Superior (licenciatura), também aplicado em muitos casos nos mestrados integrados, sofreu uma subida generalizada no sector do Estado. Há 18 instituições, entre universidades e faculdades, que se colaram à propina máxima legal, isto é, 949,14 euros. Os aumentos chegam a atingir os 22,81%. Contrariando a lei 49/2005, de 30 de Agosto, muitas universidades aplicam a mesma propina para todos os cursos, não distinguindo, por exemplo, Medicina de Letras. Só a Universidade de Lisboa (clássica) é que diferencia as propinas de 2007/08 consoante o curso ou faculdade. Tanto a Técnica como a Nova de Lisboa aplicavam a mesma lógica até 2006/07. De repente, decidiram aumentar uniformemente as propinas para o valor máximo, procedendo a um "desconto" de 14 cêntimos (949 e não 949,14 euros) em alguns institutos ou faculdades. (…)« in
Jornal de Notícias (21 de Setembro de 2007)

Euro bate novo máximo histórico

A resposta dos mercados cambiais à descida da taxa de juro de referência norte-americana de 0,5% desta semana catapultou a cotação do Euro para novo máximo histórico, ultrapassando a barreira dos 1,40 dólares. Para quem pague em dólares, as produções da zona euro estão mais caras, logo, menos competitivas do que as produções da zona dólar, agora ainda mais baratas para quem pague em euros. Um travão ao crescimento económico e ao emprego europeus e raciocínio inverso para a economia americana.