segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Regresso às aulas

O ano escolar abriu hoje, pela primeira vez, na data marcada. Na maior normalidade, se exceptuarmos as escolas que encerraram, as aulas a funcionar em contentores, os professores que foram colocados na semana passada e não participaram em qualquer reunião preparatória do ano lectivo, os alunos portadores de deficiência e que são integrados em turmas de alunos normais e com professores sem preparação em educação especial, a insuficiência de pessoal não docente, na maioria com vínculo precário, e os cerca de 40 mil docentes no desemprego e a insatisfação gerada pelo absurdo que foi o concurso para professor titular. Na maior normalidade, não, com milhares de portáteis. Ah, já me esquecia, e com mais 20 e tal mil alunos que regress aram ao sistema de ensino graças à senhora ministra, que agora se abalança para que o ensino obrigatório vá até ao 12º ano. Mesmo com 40% de abandono escolar.

The whole world is watching

Nos Estados Unidos, cresce a contestação à guerra. O ANSWER Coalition, um movimento progressista americano anti-guerra, convocou uma marcha para alertar a opinião pública para a necessidade da retirada da ocupação ilegal do Iraque e contra uma guerra que, segundo eles, o “gang Bush-Cheney” está a preparar. As imagens são de Sábado passado, em Washington D.C., no Lafayette Park, mesmo às portas da Casa Branca. Como resultado da marcha, a carga policial que podem ver e várias detenções por desobediência civil. Mais detalhes no site do movimento, em http://www.ANSWERCoalition.org.

Para memória futura

«"Devemos distinguir a relação da UE com a África, e com o Zimbábue, em particular. Esta última é marcada por fortes tensões e as sanções contra o país vão continuar", reafirmou. A realização da cúpula não é uma reunião que objetiva apenas benefícios para a política externa portuguesa, mas também, uma prioridade da UE". Segundo Sócrates, falar com a África é uma estratégia da UE, e sobre esta matéria "estamos todos de acordo, europeus e africanos".« - Fonte: Lusa

Depois logo se vê

Outro postal do fim-de-semana foi a entrada em vigor do novo Código do Processo Penal, no Sábado passado. Como consequência, Mais de uma centena de presos preventivos, de número incerto – a PGR admitiu que não dispõe de meios tecnológicos capazes de precisar quantos –e entre os quais estarão, por exemplo, 3 violadores e o líder skinhead Mário Machado, entre outros. Todos, por decreto, deixaram de ser perigosos.
A emoldurar a imagem das centenas de libertações, um coro de protestos contra a entrada em vigor do novo código, proveniente dos mais diversos quadrantes, sobretudo judiciais:
polícias, que vêem sair da prisão responsáveis pela morte de colegas; juízes, que dizem que faltaram estudos; MP, que considera o novo Código um abrandamento no combate à criminalidade.
Nos meios políticos, destaca-se o silêncio de uma oposição refém do sentido da sua votação - a favor (PSD) e abstenção (CDS-PP) - na aprovação do novo CPP, a 19 de Julho último, na AR, e as “novas oportunidades”, em fórum socialista, em que José Sócrates aproveitou tal calmaria para apontar baterias ao eleitorado daqueles dois partidos, dizendo que não contem com a ajuda do PS na tentativa, que a oposição não fez, para agitar o fantasma da insegurança.
De fora, o cidadão comum incrédulo e preocupado, observa a récita de políticas experimentais de segurança, no mote dado pelo grande timoneiro: «
Neste momento, há que ver como funciona na prática». Pois, depois logo se vê. Será a chegada da política experimental, em que o decisor político é o cientista e o cidadão o rato de laboratório. Para trás ficam os tempos em que era função do agora cientista desenvolver políticas capazes de antecipar o "depois" e, muito mais para trás, ficam os tempos em que o agora rato de laboratório manifestava o seu contentamento ou se insurgia contra o alcance dessas políticas.

Política alternativa

Primeiro disse que sim, depois que não e que nunca tinha dito que sim. Numa terceira versão, que afinal que sim, participaria no debate com o outro candidato à liderança do PSD, Luís Marques Mendes e, ao contrário deste, não tinha medo de debates. Neste postal de “política alternativa” deste fim-de-semana, Luís Filipe Menezes demonstra ao país que não está à altura de ser alternativa ao outro candidato que, por sua vez, já tinha demonstrado não ser alternativa a José Sócrates. O PS, com 2009 cada vez mais perto, caminha tranquilamente para a meta eleitoral e o PSD afirma-se por aquilo que não é, alternativa de governação, e por aquilo que nunca foi, oposição.