quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Quem anda à chuva

No Jornal de Negócios, pode ler-se que a Vodafone entrou na corrida para competir com as outras nuvens que geram à autêntica chuva de portáteis com ligação à Internet que varre o país e promete acabar de vez, de uma penada, com o insucesso escolar e com o atraso tecnológico português. Miudagem, professores e operadoras esgadanham-se para ganhar um lugar à chuva do negócio do momento. É fácil, é barato e dá milhões. Para todos, porque os computadores são mesmo ao preço da chuva. Obrigado, manda-chuva!

Cerimonial oficial laico

A imagem de capa do Público de hoje, que podem ver acima, é a de um primeiro-ministro de um Estado laico a benzer-se na cerimónia católica de inauguração do centro escolar de S. Martinho de Mouros, no concelho de Resende, que assinalou a abertura oficial do ano lectivo.

A imagem que podem ver abaixo seria a imagem do Público de hoje, caso Portugal fosse um Estado Islâmico. É a equivalente à imagem de cima, com a diferença fundamental de que não ofenderá ninguém num Estado não laico a presença de elementos religiosos em cerimónias protocolares oficiais. Num Estado islâmico, seria banal e natural ver o primeiro—ministro, sete ministros e 13 secretários de Estado de cu para o ar no cerimonial que precederia uma posterior charia de distribuição de computadores. Num Estado laico, de brandos costumes, só mesmo porque o catolicismo está em maioria, porque ninguém se chateia e porque até dá uns votitos entre as franjas mais conservadoras do eleitorado é que se convoca um Sr. Padre-cura para a cerimónia de abertura do ano lectivo e se vê o seu primeiro-ministro em plena benzedura na capa de um jornal. E, claro, porque previamente se teria verificado haver cabimento orçamental para se pagar o serviço ao vigário.
(reparar nas etiquetas Armani nos trajes e Dolce & Gabbana dos turbantes, fomos ao detalhe)

O cliente tem sempre razão

«Em contagem decrescente para as eleições directas, os dois candidatos à liderança do PSD, Luís Filipe Menezes e Luís Marques Mendes, avançaram ontem com uma ‘guerra de sondagens’. Por um lado, a sondagem divulgada pela candidatura do actual presidente social-democrata, realizada pela Eurequipa, aponta Marques Mendes como o nome preferido por 55,7 por cento dos inquiridos para assumir o cargo de líder do PSD, contra 36 por cento que escolheram Luís Filipe Menezes. Por outro lado, a sondagem divulgada pela candidatura do autarca de Gaia, realizada pela Eurosondagem, refere que o nome de Luís Filipe Menezes foi escolhido por 38,4 por cento dos inquiridos para presidente do PSD, enquanto Marques Mendes obteve 33,8 por cento.» in Correio da Manhã

6 anos depois, ainda é 11 de Setembro

Seis anos volvidos, a América ainda alimenta a esperança de ganhar uma guerra perdida à partida, insistindo no uso da força e da repressão. No Afeganistão, os talibans vão ganhando posições no terreno e, perante a impossibilidade política de envio de mais tropas, uma reedição do Vietname torna-se cada vez mais que provável. No Iraque, os atentados sucedem-se e entraram na rotina do quotidiano, assim como a notícia de soldados americanos mortos, e a instabilidade cresce na mesma medida em que cresce a ideia de que não há nada a ganhar ali. Ao mesmo tempo, nas prisões americanas, é usada uma nova engenharia da tortura, que engrossa o rol de mentiras e omissões utilizadas por americanos e amigos em nome de uma cruzada contra as “forças do Mal”, que continua.
Centenas de mentiras depois, milhares de mortos depois, milhões de lágrimas depois e biliões de dólares depois, o medo por todo o mundo, sem que se ouça a voz de nenhum chefe de Estado ocidental a defender a via da paz e do desenvolvimento. Seis anos depois, ainda é 11 de Setembro, todos os dias.

Na imagem: o irmão mais novo de um suspeito à espera de ser interrogado, enquanto os soldados americanos procedem a buscas no quarto ao lado (foto roubada
daqui)