segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A vingança do chinês

«Para Luís Amado são "óbvias" as razões que levam o Governo português e o Presidente da República a não receberem oficialmente o Dalai Lama, Prémio Nobel da Paz, na sua segunda visita a Portugal. Luís Amado não se refere, claro está, às razões de agenda evocadas por José Sócrates ou Cavaco Silva. Fala das razões políticas e económicas que estão na base desta indisponibilidade. (…) Uma questão completamente diferente é a das lojas chinesas que Maria José Nogueira Pinto quer retirar da Baixa de Lisboa. (…)»

Em vez da imposição de regras, como o respeito pelos mais elementares direitos humanos, laborais e ambientais, a ue preferiu vergar-se aos interesses das grandes multinacionais que operam em países como China e Índia, utilizando, para consumo doméstico, um discurso cheio de chavões como “competitividade”, “flexibilização” e “contenção salarial”. Os efeitos da abertura dos mercados fizeram-se sentir de forma diferenciada, consoante o grau de especialização tecnológica e solidez das economias.
Portugal, frágil, estrebuchou. Com a globalização sem regras vieram o desemprego, a precarização no mundo do trabalho, a perda de poder de compra dos portugueses e, com eles, o encerramento de fábricas e lojas. Estas, em menor número, concentraram-se em grandes catedrais de consumo e, nas baixas das cidades de todo o país, assistiu-se a um fenómeno de substituição de representações de grandes marcas por lojas que comercializam produtos de baixo valor, ao alcance de todas as bolsas mas que só contentam quem aufere rendimentos baixos.
É este segmento de mercado, liderado por chineses e indianos, com produtos importados directamente dos seus países de origem, que envergonha agora toda uma classe que se vergou ao peso económico do gigante chinês. É esta exposição de pobreza e empobrecimento crescente do país e a ausência do glamour das grandes marcas e dos produtos de luxo com que terão que conviver e, pior que tudo, que verão os convidados ilustres, ricos, congéneres dos nossos governantes bem vestidos, em contraste com a boa marca das suas fatiotas e carros. Uma cópia à escala da realidade dos países de ilustres convidados e sempre bem-vindos como os ditadores
José Eduardo dos santos, Robert Mugabe ou Ben Ali, só para dar três exemplos que, como pode ver-se, contrastam com o mal-vindo Dalai Lama.
De súbito aparece em cena Maria José Nogueira Pinto, que tenta, por todos os meios, varrer a vergonha para debaixo do tapete, da nobre baixa para o Martim Moniz. Tarefa possível numa China com regras muito próprias, mas impossível num espaço com regras próprias de um Estado de Direito, aquelas que a Europa não exigiu aos chineses: leis específicas “para lojas chinesas” são xenófobas, proibidas, para horror dos convidados e vergonha dos anfitriões. Quiseram os chineses, eles aí estão. Ricos ou pobres, todos sentiremos a sua presença. Será a célebre "vingança do chinês"?

Os convidados


Este nosso cheirinho a alecrim (n+muitos)

«Lamentavelmente a corrupção está em muitos lados e, ao que agora se diz, até na Justiça. Em certos casos isso já parece saltar aos olhos dos operadores jurídicos. Há processos em que nós nos podemos aperceber de que há algo que não bate bem. E se não for atacado logo de início pode vir a ter graves consequências.
(…)
Até há pouco tempo não senti que a corrupção fosse investigada. Não havia vontade, ao que penso, principalmente política, para que certas coisas, feitas com o conhecimento de todos, começassem a ser investigadas. Veja-se o caso das Câmaras. Se calhar não devia haver uma única que não tivesse o chamado "saco azul". No entanto, só meia-dúzia, terão estado em investigação e em tempos recentes. Não se justificaria que todas elas fossem investigadas? Todos nós, no País, ao estarmos passivos, ao ver e aceitar tudo o que estava a acontecer, permitimo-nos chegar ao extremo que chegámos. Contudo, penso que esse extremo não pode chegar às magistraturas. Se ele chegou, não sei que outro reduto haverá! (…)»
in Jornal de Notícias

«(…) a Direcção Regional de Finanças fez uma inspecção à autarquia do Funchal e numa amostra de quatro processos de loteamento e de nove licenciamentos, aprovados entre 2003 e 2004, detectou que todos os loteamentos e sete licenciamentos violavam os Planos Municipais de Ordenamento.

Os projectos urbanísticos, adianta o Expresso, envolvem altos responsáveis do PSD Madeira que acumulam participações em sociedades construtoras ou de consultadoria. (…)» in
Diário Digital / Lusa - 08-09-2007

«O líder nacional do PSD, Luís Marques Mendes, manifestou hoje a sua total solidariedade para com o presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Albuquerque, envolvido em polémica na sequência de uma auditoria efectuada naquela autarquia. (…)» in Diário Digital /
Lusa - 17-08-2007

«(…) Como o líder do PSD/Madeira vale cerca de um terço dos votos militantes, Mendes aceita ficar refém de Jardim, que aparece como seu seguro de vida numa estratégia de vistas curtas. Pode garantir que derrota Menezes nas directas de Setembro, mas também ajuda a cavar a sua própria sepultura em 2009. (…)» in
JN

À espera do negro eterno

Chegou ao meu conhecimento, com agrado, durante a semana passada, que houve avanços importantes da ciência no campo da oftalmologia. Cientistas canadianos revelaram terem descoberto o gene e o processo que provoca a morte das células da retina, em doenças como a retinopatia pigmentar, que conduzem à perda de visão e, na maior parte dos casos, à cegueira total.
De
Espanha chegam notícias do desenvolvimento de um sistema que melhora significativamente o grau de visão de pacientes com baixa visão, capaz, inclusivamente, de permitir a condução de um carro.
No Brasil, entretanto, discutiram-se as causas da cegueira e formas de a combater, num congresso em Brasília em que se alertou para a importância fulcral de um diagnóstico e tratamento o mais precocemente possível à retinopatia diabética, uma das maiores causas de cegueira, em que já é possível travar a evolução da doença e evitar os danos irreversíveis dela resultantes.
Por seu lado, e logo no nosso, em Portugal é hoje notícia uma causa de cegueira para a qual os cientistas não encontram resposta: a fila de espera causada por imperativos orçamentais prioritários.

«
Entre 15 a 20 mil diabéticos portugueses correm o risco de cegar, uma consequência previsível da doença, mas que não é acompanhada por rastreios e tratamentos urgentes, estando os pacientes sujeitos a esperar um ano para ir à consulta e, mais tarde, meses por um tratamento laser.»

Borlas: detector e limpador de spyware

Se tecnicamente spyware e vírus são coisas distintas, muitas vezes ter spyware incomoda tanto como ter um vírus. Desde logo a ligação à Internet fica mais lenta porque, sem nos darmos conta, ideia que desagradará à maioria, há dados que são permanentemente enviados do nosso computador para um servidor remoto, ocupando largura de banda.
E como limpar o spyware? Tal como existem os antivírus para os vírus, existem detectores/limpadores destes bichitos nojentos. Um deles é este XCleaner, um dos melhores que conheço e uso regularmente. Tem várias vantagens, entre as quais a de não permanecer instalado no nosso computador (desaparece depois de usado) e a de ser gratuito. Aqui fica o link para ele: depois de clicar
aqui, instale o AactiveX e execute o scan. Quando terminar, use a caixa de comentários a este post e partilhe com os leitores o número de bichitos que deixaram de vaguear no seu PC. Repita a dose periodicamente, eles andam aí.

Nota: o XCleaner não detecta todo spyware conhecido, mas detecta grande parte.