quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Moeda ao ar

  • Na SIC: «Abandono escolar aumenta em Portugal. O abandono escolar rondou os 40 por cento durante o ano passado, quase o dobro da União Europeia. É um aumento que revela o fracasso da políticas preparadas especialmente para manter os alunos na escola durante mais anos. (…)»;


  • No Público: «Taxa de abandono escolar desceu para os 36,3 por cento este ano» e

  • No JN: «Abandono escolar diminuiu 3%. Situa-se nos 36,3% e ministra acredita que baixará para 30% em 2010 ».

Moeda ao ar? Não. Fomos à fonte – o Observatório do Emprego e formação profissional - para tirar as dúvidas. O abandono escolar subiu de 38,6% em 2005 para 39.2% em 2006. A ministra pode continuar a ter fé. A acompanhar o que lhe sobra em fé e o que lhe escasseia em competência, um forte incentivo ao abandono escolar nas estatísticas do emprego . (ler o post anterior)

Clique sobre a imagem para vê-la aumentada.





O Portugal "moderno" e os desafios da qualificação do factor trabalho

A substituição de trabalho mais qualificado, melhor remunerado, a tempo completo e permanente por trabalho mais barato, a tempo parcial, com vínculo precário e menos qualificado é uma das conclusões do estudo desenvolvido pelo economista Eugénio Rosa, que recaiu sobre os dados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística.

Segundo o estudo, Entre 2005 e 2007 houve uma redução de 115,9 mil empregos no grupo de trabalhadores com qualificação e escolaridade elevada (com salários mais elevados) e um aumento de 59,7 mil empregos no grupo de qualificação e escolaridade média e de 72,1 mil empregos no grupo de qualificação e escolaridade mais baixa. No mesmo período, o emprego a tempo completo diminuiu em 17,2 mil empregos, enquanto que o emprego a tempo parcial aumentou em 27,7 mil. Por contratos, o emprego com contrato sem termo diminuiu em 40 mil e o emprego com contrato a termo aumentou em 91,9 mil, os outros contratos cresceram em 30 mil empregos. (Fonte:
Lusa-Sapo)
Um resumo mais alargado deste estudo pode ser lido no
Papéis de Alexandria.

DN Astrologia

«Os nativos de Virgem são pessoas ponderadas, poupadas e com forte apego à família. Características comuns a Mendes e Sócrates. (…)»

A secção de astrologia passou para a primeira página do DN, num artigo que remete todas as pessoas ponderadas, poupadas e com apego à família para o signo virgem. Todos os demais que reúnam as 3 características terão de protestar junto do fabricante por terem nascido, por engano, num mês errado. Quanto aos virgens em questão, por determinação astral, apresentarão obrigatoriamente as características enunciadas para o seu signo.

Sugestão: um pouco mais adiante, no mesmo texto, pode ler-se que “O actual primeiro-ministro chegou a exercer funções técnicas na Câmara da Covilhã”. Um trabalho de pesquisa sobre que funções técnicas e com que habilitações académicas as exerceu resultaria num texto com muito mais utilidade e, ainda por cima, com sucesso garantido do ponto de vista comercial. É que, se para as funções de Primeiro-ministro não existe qualquer obrigatoriedade de detenção de grau académico, o mesmo já não acontece com o exercício de certas funções técnicas e no ingresso na categoria de Técnico Superior na função pública, nem mesmo com ascendente nos signos de doutor ou engenheiro.

Teorias de modernidade

«Teoricamente é possível e há alguns países que têm feito essa experiência com resultados positivos", referiu Daniel Proença de Carvalho a propósito da sua sugestão da privatização da actividade fiscal como uma via para diminuir a despesa pública e tornar o Estado mais eficiente.O advogado defendeu ontem a ideia na primeira conferência do ciclo "Portugal Moderno – Uma Visão Política" que tem lugar nos próximos meses na Câmara da Covilhã. »

Desde que o disparate se tornou uma prática reiterada, teoricamente é tudo possível. Aliás, a expressão que traduz este modelo teórico de modernidade é tão simples que é possível traduzi-lo na igualdade Privatizar = Modernizar, com a restrição securitária desta família política que impede a aparição de propostas, por exemplo, de privatização do exército e contratação de soldados em regime de trabalho temporário, recrutados exclusivamente em tempo de guerra. As diferenças far-se-iam notar quer na despesa pública, quer no burburinho gerado entre as hostes.

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