Isto é um Microtus arvalis, um exemplar da espécie de ratos que é actualmente uma praga em Espanha. Sabe-se hoje que apenas atravessa fronteiras entre países a nado e que - olha que sorte para nós! - é uma espécie que nada muito mal. Não há registos de que a espécie fale português, dupla sorte para os portugueses. Será, então, por isso que as autoridades portuguesas estão tão tranquilas. A espécie tem medo da água, é mesmo só sorte. Portugal está preparado para a rataria, aliás nem precisava de estar. O perigo para a saúde pública é apenas espanhol.
«Ugal exige que una autoridad sanitaria indique el peligro de la plaga de ratones
El sindicato Ugal exige que se depuren responsabilidades políticas por las pérdidas y el problema que causa al campo la superpoblación de ratones. Según expresó Matías Llorente, secretario de esta formación, el asunto trasciende ya los límites de la producción agraria y se ha convertido en una circunstancia relevante para la salud. (…)»
« "Não é certo que essa praga chegue a Portugal, dizem-me que há uma barreira natural que é o rio Douro", disse à Lusa o ministro, que considera excessiva a palavra "alarmante" para classificar o que se está a passar em Espanha, embora entenda que o que se vive do lado de lá da fronteira "é suficiente" para se acompanhar a situação "com atenção". »
Se por acaso alguém vir um exemplar suspeito, é favor pedir passaporte e informar o Ministro. Há exemplares do tamanho de coelhos. Por isso, atenção também aos coelhos, não vá algum espertalhão colocar umas orelhas para enganar o Senhor Ministro. Coelho que fale espanhol é rato disfarçado!
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Calma! Não sabem nadar.
Uma realidade inflexível
Temos todos bem presente a campanha a que assistimos todos os dias, movida contra tudo o que é emprego público e contra a estabilidade no emprego. Os argumentos são vários e basicamente andam em redor da eficiência, qualidade, competitividade, redução de custos e flexibilidade de gestão, advogando os seus defensores que da externalização de serviços, quer públicos, quer privados, e da flexibilização das relações laborais resultarão melhorias significativas em qualquer dos aspectos organizacionais acima referidos.
Porém, a prática é mais inflexível que os modelos teóricos e vai demonstrando que, não poucas vezes, é precisamente o contrário que se verifica, com decréscimo de qualidade e aumento dos custos, efeito do aumento da complexidade da relação entre quem fornece o serviço e quem o solicita. No modelo que se combate, a relação é directa: quem executa o serviço está sob a orientação e sob a hierarquia de quem o solicita. No modelo proposto, pelo contrário, há um elemento que é introduzido entre o cliente e o executante, que fica sob a sua orientação e hierarquia, respondendo perante si e não directamente perante o cliente final, com todas as implicações que isso acarreta: dificuldades de comunicação e de responsabilização do funcionário, alteração da repartição do valor pago pelo serviço (que, para além do valor dos salários, paga também o lucro do empresário), bem como todos os inconvenientes que impendem sobre o cumprimento dos contratos firmados decorrentes de um sistema de Justiça enferrujado como o português.
Esta realidade é facilmente constatável através de uma consulta aos livros de reclamações de hotéis que tenham externalizado o serviço de limpeza dos quartos junto de empresas de trabalho temporário, repletos de queixas sobre a qualidade do serviço que agora é assegurado por mão-de-obra sem vínculo e cujo único receio será a perda do pouco dinheiro que deixariam de receber no dia seguinte, caso a entidade patronal entendesse não os convocar como represália pelo mau serviço. Termino com outro exemplo que pode ler-se nas páginas do Público de hoje:
«O Fórum Cidadania Lisboa reclamou hoje uma maior atenção da câmara aos espaços verdes da cidade, classificando de lastimável o estado dos jardins, parques e logradouros.
(...)
Segundo o fórum, existe "um contrato exorbitante" com uma empresa de jardinagem responsável pela manutenção dos espaços verdes da Avenida da Liberdade, "sem resultados práticos" e o promotor do Rock in Rio não cumpriu o contrato no que respeita a centros sociais, substituição da vedação, vigilância e reposição do coberto vegetal na zona do palco. (...)»
Esta realidade é facilmente constatável através de uma consulta aos livros de reclamações de hotéis que tenham externalizado o serviço de limpeza dos quartos junto de empresas de trabalho temporário, repletos de queixas sobre a qualidade do serviço que agora é assegurado por mão-de-obra sem vínculo e cujo único receio será a perda do pouco dinheiro que deixariam de receber no dia seguinte, caso a entidade patronal entendesse não os convocar como represália pelo mau serviço. Termino com outro exemplo que pode ler-se nas páginas do Público de hoje:
«O Fórum Cidadania Lisboa reclamou hoje uma maior atenção da câmara aos espaços verdes da cidade, classificando de lastimável o estado dos jardins, parques e logradouros.
(...)
Segundo o fórum, existe "um contrato exorbitante" com uma empresa de jardinagem responsável pela manutenção dos espaços verdes da Avenida da Liberdade, "sem resultados práticos" e o promotor do Rock in Rio não cumpriu o contrato no que respeita a centros sociais, substituição da vedação, vigilância e reposição do coberto vegetal na zona do palco. (...)»
Fazer pela vida
A interpretação de António Vitorino, ontem na RTP, sobre a oposição do BE à privatização da REN e do abastecimento de água foi a de que, depois do acordo na CML, o BE tem que mostrar serviço. Judite de Sousa repele o argumento e relembra a Vitorino que a oposição do BE às privatizações referidas já vinha de antes, ao que este, evasivo, responde sem se desmanchar perante a desconstrução do disparate que acabava de dizer com qualquer coisa como “todos temos que fazer pela vida”. Fiquei sem saber se se referia ao BE ou a si próprio, consciente do seu papel de vendedor de banha da cobra e satisfeito pelo dever cumprido. Uma balela até pode nem colar mas, pelo menos, há que tentar. Mostrou serviço.
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