segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Ler os outros - "Arrastão"

«Já é da praxe. Todos os anos a indignação com os convidados do PCP à Festa do Avante toma conta da blogosfera e dos jornais. Justa e merecida indignação, acrescento eu. Mas ainda estou à espera do facto de partidos como o MPLA e o RCD, do ditador tunisino Ben Ali, só para pegar em dois de muitos possíveis exemplos, manterem com o PS uma estreita relação de amizade e cooperação, convidando-se mutuamente para os seus congressos, merecer pelo menos duas linhas de incómodo.»

Subscrevo e republico este “
Vigilância selectiva” do Daniel Oliveira, aproveitando a ocasião para recordar o elogio de José Sócrates às “visões estratégicas do coronel Kadafi e da sua sabedoria, tendo em conta o lugar remarcável que beneficia o guia líbio em África e o seu papel pioneiro na consolidação da posição do espaço africano no seio dos outros espaços que compõem o mundo.”, palavras de um Chefe de Estado - e não de convidados da comissão de festas de um festival do tintol e da febra - que passaram quase despercebidas.

Uma América a mudar

«(…) When Americans look around right now, they see a public-school system with 38% of fourth graders unable to read at a basic level; they see the cost of health insurance escalating as 47 million people go uninsured; they see a government that responded ineptly to a hurricane in New Orleans; and they see a war whose ends they do not completely value or understand. (…)»

Apesar do aumento do voluntariado entre a população americana, os números denotam uma realidade que evidencia uma clara insuficiência do sistema. A América vive tempos de mudança e começa a colocar-se a questão da necessidade de serviços públicos e de políticas públicas capazes de relançar o país e o american dream (ler artigo completo na
Time). Enquanto isso, na velha Europa, defende-se e implementa-se o modelo que fracassou do outro lado do mar.

O rei do Verão

O Verão está nas últimas e as férias já lá vão. Regressamos, devagarinho, como se impõe, recordando o que fez notícia no decurso destes últimos silly months. E há alguém que se destaca. A estratégia seguida poderia ter sido a de contrastar com o não-se-passa-nada, mas não foi. Pelo contrário, ele levou o silly ao extremo e ultrapassou-o claramente, cilindrando toda a concorrência. Ofuscou a Elsa Raposo e a Cicciolina com a frase «O meu vício de Verão é fazer amor». Suplantou José Sócrates num mais que perfeito inglês técnico «fuck him!», embora depois viesse a demonstrar deficiências na conjugação do mesmo verbo na primeira pessoa, dizendo «Pessoalmente não me sinto derrotado» em vez da conjugação respectiva perante o rotundo fracasso que foi o seu esforço filantrópico para ajudar o Benfica. Valha-lhe a humildade ao reconhecer «Não sou tão importante como Gulbenkian mas quase». Um “quase” que seguramente não assustará um jovem poliglota no apogeu da sua virilidade, um SEXagenário dos verdadeiros que foi, sem dúvida alguma, o nosso rei do Verão.

Rendimento Nacional e Produto Interno Bruto

«Como se sabe, o PIB (Produto Interno Bruto) corresponde ao valor da riqueza criada anualmente num país. O RNB (Rendimento Nacional Bruto) corresponde ao valor que fica no país, que se obtém adicionando ao PIB os rendimentos primários recebidos do resto do mundo e subtraindo os pagos também ao resto do mundo. Como mostram os dados publicados pelo INE a parcela líquida que é transferida para o estrangeiro (diferença entre o PIB e o RNB) é cada vez maior. Entre 2002 e 2006, aumentou 70,5 por cento, pois passou de 3.622,4 milhões de euros para 6.177,5 milhões. Mas foi nos dois anos do actual governo que o crescimento foi maior, mais que duplicou (cresceu 113,4 por cento), pois passou de 2.894,3 milhões de euros para 6.177,5 milhões, e, curiosamente, durante o governo do PSD/CDS tinha diminuído em –20,1 por cento, passando de 3.622,4 milhões de euros para 2.894,3 milhões. Estes dados do INE revelam também um crescente domínio da economia e da sociedade portuguesa pelos grandes grupos económicos estrangeiros. A confirmar isso está o facto de na execução do Programa PRIME co-financiado pela UE e que teve como objectivo a modernização da economia portuguesa, em 2006, se retirarmos as entidades e as empresas ainda públicas, mais de metade das empresas apoiadas foram empresas estrangeiras. Para se poder ficar com uma ideia da dimensão do problema interessa dizer, ainda de acordo com os dados do INE, que os pagamentos de Portugal ao resto do mundo, ou seja, o valor da riqueza produzida em Portugal mas transferida para o estrangeiro, em 2006, atingiram 17.590,2 milhões de euros, o que correspondeu a 11,5% do PIB desse ano.» In As Beiras