quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Quem tem boca

Uma técnica simples, mas com sucesso garantido. Boca a boca e em horário VIPS, uma candidatura a qualquer coisa só pode mesmo resultar em eleição. Força Bráulio, estamos com ócê! Jáganhô! Jáganhô! Jáganhô! Jáganhô!

Concorrência pura imperfeita

«A Autoridade da Concorrência não percebe porque os preços dos combustíveis caem de forma tão lenta em Portugal. A entidade liderada por Abel Mateus diz que os preços a retalho estão a responder com um atraso de quatro semanas contra as duas de média na EU.» Isto era o que podia ler-se aqui, em 29 de Dezembro do ano passado. Hoje, passados 7 meses e pouco, pode ler-se aqui que «Os lucros da Galp Energia cresceram 71% para os 285 milhões de euros no primeiro semestre, superando as estimativas dos analistas». Uma surpresa, no mínimo, surpreendente. Pode ainda ler-se aqui que «Há remédios de venda livre que duplicaram o preço. Há medicamentos de venda livre que estão a sair da fábrica com o dobro do preço por unidade do que em 2005, antes da liberalização deste mercado.», o que deixa adivinhar nova surpresa surpreendente por parte dos analistas.

A conclusão a retirar das duas experiências é só uma, a de que não adianta fingir que há um mercado de concorrência quando essa concorrência não existe eque as consequências para os consumidores se amplificam quando existe uma autoridade da concorrência que finge que não entende os abusos dos agentes no mercado.
Já quanto às soluções não se verifica a mesma unicidade e vislumbram-se, pelo menos, duas: a primeira, o estabelecimento de um sistema de preços controlados, fixando um tecto máximo ao preço praticado no mercado, uma solução semelhante à do acordo “bolchevique” entre Sá Fernandes e António Costa para o mercado imobiliário em Lisboa, mas desta feita aplicável a 100% do mercado; a segunda solução consiste em deixar o mercado ajustar-se, na perspectiva de que a existência de avultados lucros faça com que surjam novos agentes no mercado que estimulem a concorrência. A primeira solução implica intervenção, a segunda pressupõe ausência dela e uma dose bastante razoável de fé.

Ler os outros - "Boina Frígia"

Vale a pena ler sobre as semelhanças entre a África, a Europa e o valha-me deus neste post do João Gato, no Boina Frigia.

Nova saúde ®CC

«180 médicos e 3 mil enfermeiros. É este o universo de profissionais de saúde em regime de contrato de trabalho a termo nos hospitais do Sector Público Administrativo e nos centros de saúde, que estão em risco de perder o lugar devido às novas regras de contratação do sector.

De resto, o texto já refere que o ministro da Saúde garantiu ontem que “ninguém terá o seu contrato cancelado” devido às alterações, ficando claro qual o universo dos profissionais de saúde que têm o seu emprego em risco, se a avaliação que vai ser feita durante este mês concluir que o trabalho destes agentes não é essencial.» in
Diário Económico

Um projecto ambicioso, este, o de Correia de Campos. Melhorar os serviços públicos com menos pessoal. Afinal, não custa nada esperar mais um bocadinho para ser atendido por um médico ou por um enfermeiro. Em breve será o sector privado que estará com excesso de pessoal e nenhum português, no seu juízo perfeito, recorerá a unidades de saúde privada, tal a algazarra de médicos e enfermeiros em alegre confraternização.
A nova saúde do ex-administrador da Medis não precisa de pessoal médico, muito menos de pessoal de enfermagem. Isso era dantes, quando havia desperdício. Mas o ideal, mesmo, seria disponibilizar aquela pomada milagrosa, à venda nos chineses, que dispensa prescrição médica e cura tudo. Seria a solução mais barata de uma saúde para todos e sem listas de espera. Fica a proposta e o esclarecimento adicional de que não pertenço a nenhum lobby de nenhuma máfia chinesa, garanto-o. É que anda para aí gente que só sabe falar mal de tudo e ver fantasmas onde não os há.

Ler os outros - "Um homem das cidades"

«O aluno José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa até foi prejudicado na Universidade Independente (UnI) em relação a dois antigos colegas. Esta é uma das conclusões do despacho de arquivamento do Ministério Público (MP) da investigação sobre a licenciatura em Engenharia do primeiro-ministro, que não apurou quaisquer irregularidades no processo.»

«O documento, a que o Expresso teve acesso, revela o caos organizativo e pedagógico da UnI. de que beneficiaram todos os alunos. Sócrates foi apenas mais um. Se conclusão diferente se pode retirar sobre o processo de licenciatura do então ministro do Ambiente, diz o MP, é que até foi prejudicado, pois teve de frequentar as aulas da cadeira de Inglês Técnico e fazer um trabalho final, ao contrário dos seus colegas Carlos Pereira e Maria Carmen Antunes. Estes, segundo o MP, foram "brindados com a nota de 13 valores sem que tivessem obtido aproveitamento em disciplina que lhes permitisse a atribuição de equivalências".»

«E como eram as aulas de Inglês Técnico? Eram "conversas mantidas em inglês técnico no espaço reitoral" entre o ex-reitor Luiz Arouca e o aluno José Sócrates. "Duravam em média 15 minutos, com excepção dos dias em que faltasse algum professor, alturas em que a conversa duraria mais tempo", segundo descreveu o próprio Luiz Arouca. Questionado sobre a validade deste método, o antigo reitor respondeu que o mesmo é aplicado "nas universidades estrangeiras, como na Sorbonne e Cambridge".»


Comentário:

De seguida um curto vídeo da apresentação do trabalho final de curso (em Inglês Técnico), no qual Pinto de Sousa (Sócrates para os mais chegados, Effeminate para os Santanistas, Whatever para a maior parte), sustenta de forma brilhante como, na eventualidade de ter de construir dez estádios de futebol, um aeroporto na Ota e vários TGVs, contra a vontade de uma população maioritariamente hostil, é possível governar ao arrepio da turba ignorante e acéfala que desgraçadamente enxameia o país. A convicção inquebrantável de Pinto é imediatamente perceptível nas primeiras estrofes da sua excelente retórica:

«First I was afraid, I was petrified
Kept thinking I could never live without you by my side
But I spent so many nights thinking how you did me wrong
I grew strong, I learned how to carry on...»


(o "YOU" do poema refere-se, como é óbvio, ao contribuinte obtuso deste rectângulo):

First Sócrates (graduated at UnI) was afraid, then he was petrified, but soon he realized, how much money it could be:»

O Video referido pode ser visto no “
Um homem das Cidades”, de onde retirámos o post. Eu, por mim, preferiria este outro, em que não restam dúvidas que alguém ficou mesmo bastante prejudicado.