«A Autoridade da Concorrência não percebe porque os preços dos combustíveis caem de forma tão lenta em Portugal. A entidade liderada por Abel Mateus diz que os preços a retalho estão a responder com um atraso de quatro semanas contra as duas de média na EU.» Isto era o que podia ler-se aqui, em 29 de Dezembro do ano passado. Hoje, passados 7 meses e pouco, pode ler-se aqui que «Os lucros da Galp Energia cresceram 71% para os 285 milhões de euros no primeiro semestre, superando as estimativas dos analistas». Uma surpresa, no mínimo, surpreendente. Pode ainda ler-se aqui que «Há remédios de venda livre que duplicaram o preço. Há medicamentos de venda livre que estão a sair da fábrica com o dobro do preço por unidade do que em 2005, antes da liberalização deste mercado.», o que deixa adivinhar nova surpresa surpreendente por parte dos analistas.
A conclusão a retirar das duas experiências é só uma, a de que não adianta fingir que há um mercado de concorrência quando essa concorrência não existe eque as consequências para os consumidores se amplificam quando existe uma autoridade da concorrência que finge que não entende os abusos dos agentes no mercado.
Já quanto às soluções não se verifica a mesma unicidade e vislumbram-se, pelo menos, duas: a primeira, o estabelecimento de um sistema de preços controlados, fixando um tecto máximo ao preço praticado no mercado, uma solução semelhante à do acordo “bolchevique” entre Sá Fernandes e António Costa para o mercado imobiliário em Lisboa, mas desta feita aplicável a 100% do mercado; a segunda solução consiste em deixar o mercado ajustar-se, na perspectiva de que a existência de avultados lucros faça com que surjam novos agentes no mercado que estimulem a concorrência. A primeira solução implica intervenção, a segunda pressupõe ausência dela e uma dose bastante razoável de fé.