segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Respondam, mas com cuidadinho

«Apesar de em férias, o primeiro-ministro José Sócrates não perde o contacto com a actualidade política e, logo na sexta-feira, deu indicações aos seus colaboradores mais próximos para que, na reacção ao veto político do Presidente da República ao diploma que visava alterar o Estatuto do Jornalista, reagissem sem afrontar Cavaco Silva.
A notícia é avançada na edição deste domingo do Diário de Notícias, que assegura que foi assim que outro membro do Executivo em férias, o ministro Augusto Santos Silva, interrompeu os mergulhos para assegurar aos jornalistas que o Parlamento «reapreciará o diploma», visando satisfazer as dúvidas de Cavaco.

De resto, também o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, se apressou a prestar declarações muito semelhantes, assegurando que a sua bancada irá «apreciar devidamente» as objecções levantadas pelo Chefe do Estado ao diploma, que era muito contestado pela classe jornalística.» in
Diário Digital

Outro abanão no autismo do executivo de José Sócrates foi dado na Sexta-feira pelo PR. Será o fim da “cooperação estratégica” e um sinal de que a paciência tem limites? Registe-se o “respondam, mas com cuidadinho”.

Sem reacções

Uma das receitas conhecidas para sustentar o autoritarismo é o populismo. Consiste, basicamente, em intoxicar a opinião pública com dois ou três chavões facilmente absorvíveis, para depois, com a certeza do apoio popular, aplicar as medidas mais disparatadas e injustas. Foi o que aconteceu com José Sócrates e os funcionários públicos e foi o que aconteceu com Maria de Lurdes Rodrigues e os professores.
Mas, se a receita é tanto mais eficaz quanto mais ávida de “culpados” para a crise generalizada for a opinião pública e menores forem o poder reivindicativo, a organização e a coesão da classe visada, o sucesso já não é tão retumbante quando os disparates e injustiças são apreciados por órgãos fiscalizadores independentes, menos permeáveis a tais manobras de diversão. Igualmente, o sucesso inicial dilui-se no tempo, à medida que as injustiças e disparates vão afectando outras classes e se contorna a pulverização que resulta da individualização das relações entre a autoridade e os visados, e à medida que vão sendo sucessivamente conhecidos pareceres negativos que ponham em causa as políticas levadas a cabo com base na volátil ira das gentes.

Não foram os professores “absentistas”, nem os “maus profissionais”, nem os “privilegiados”, os únicos culpados do estado da nossa educação que estiveram sob a apreciação do Provedor de Justiça, essas lérias não devem ser valorizadas por um órgão fiscalizador. Foram todos os docentes, que os há bons e maus, como em todas as classes sócio-profissionais. E, pela segunda vez, Maria de Lurdes Rodrigues e o Governo foram alvo de severos reparos à sua política de “rigor” e “exigência”. Sem reacções.

«
Nascimento Rodrigues refere situações de "flagrante injustiça no quadro legal do concurso". As situações estranhas têm vindo todos os dias nos jornais. E o provedor refere-se especificamente às que prejudicaram os professores de escalão mais elevado, e até que tinham nota mais elevada, em relação a outros que os ultrapassaram mesmo fazendo parte de um escalão mais baixo e tendo notas mais baixas.»