segunda-feira, 30 de julho de 2007

Que reforma é esta?

Não foram nomeados pelo mérito, nem foram exonerados pela falta dele. Mas a nomeação e a posterior exoneração, segundo os habituais critérios da cor do cartão partidário, custaram-nos, a todos nós contribuintes, um milhão de euros. Um milhão de razões para que se mudem os critérios de nomeação na Administração pública, um milhão de razões para que se questione o poder político sobre a manutenção de tais critérios e outro milhão para que se estabeleça o paralelo e a proporcionalidade entre estas indemnizações e o custo pago pelos trabalhadores da Administração Pública recentemente postos em “mobilidade especial”, que deixam de contar com um terço do seu tudo menos que milionário salário mensal. Que justiça e que reforma é esta que permite que, tanto hoje como no futuro, se continuem a nomear, a exonerar e a pagar estas indemnizações milionárias a quem é premiado apenas por pertencer a um partido e, ao mesmo tempo, se privam outros do seu trabalho? Alguém que faça o favor de colocar a questão a algum responsável por esta reforma de coisa nenhuma.

A procissão da poncha

Sem o patrocínio do Memorex Forte, Decorreu este fim-de-semana no Chão da Lagoa, Madeira, a procissão da poncha. A festa teve o seu momento alto com o ritual de abraços entre dois dos mais proeminentes ideólogos da República, que tornaram notória a ausência do patrocinador citado no início deste post.
Foi linda a reconciliação entre Marques Mendes e Alberto João Jardim. Quem os visse pela primeira vez jurá-los-ia dois velhos amigos, aliados de uma vida, e jamais imaginaria que na mesma festa do Chão da Lagoa, há dois anos, o rei bocarra tivesse declarado Marques Mendes persona non grata no seu reino da Madeira. Assim como ninguém imaginaria que, precisamente aquele que nos habituou a ouvir chamar cubanos aos continentais, se arvorasse defensor da coesão nacional, mostrando-se, ainda por cima, aviltado pela falta de respeito de José Sócrates ao apelo daquele a quem chamou de Sr. Silva, há bem pouco tempo. Menos ainda, talvez a surpresa das surpresas, ouvir o mesmo que ordena aos serviços regionais o cancelamento das assinaturas de jornais nacionais que o critiquem, nem que seja ao de leve, e corte o financiamento a jornais regionais que veiculem posições que sejam minimamente diferentes da sua, acusar José Sócrates de querer acabar com o pluralismo na comunicação social. Nesta acusação a poncha fez-se sentir quando Alberto João confundiu José Sócrates com outro Pinto de Sousa, o da arbitragem, num exercício de mau gosto e desonestidade política levado ao extremo.

Mas a falta que faz um Memorex não muito forte também se fez sentir no ex-persona non grata, que talvez justificasse pastilhas mais potentes e tratamentos mais personalizados. Marques Mendes acusou Sócrates de atacar o bastião social-democrata, defendeu um reforço das autonomias regionais na próxima revisão constitucional em 2009 e elogiou o anfitrião, a obra do anfitrião, ambos merecedores de homenagem do PSD nacional, e a festa do Chão da Lagoa, nas suas palavras "uma falha no meu currículo político, na minha vida, uma festa extraordinária". Palavras bonitas, na boca de um homem feliz e realizado, a finalizar um curriculum que se completará com a contagem de votos dos militantes do PSD Madeira no próximo congresso do partido, aproximadamente um terço do total. Terá valido a pena o papelinho no chão da lagoa?

Ler os outros - "0 de Conduta"

« Vieira de Almeida Júnior ataca o corporativismo e afirma: “com o Estado, ninguém sabe porque é que a escolha recai numa firma [de advogados] em vez de outra”.»

Um “Who’s who” a uma conhecida firma de advogados da nossa oligarquia que, ao longo dos anos, tem sido largamente prejudicada nas suas relações com o Estado e que ultimamente anda envolvida numa cruzada contra os poderosos interesses corporativistas instalados. A ler no
0 de conduta.