quinta-feira, 26 de julho de 2007

Sócrates na SIC (1)

Ficámos ontem a saber que afinal o país está bem e recomenda-se, numa entrevista de José Sócrates à SIC. Os entrevistadores, os jornalistas Ricardo Costa e José Gomes Ferreira, ajudaram a pintar um quadro de maravilhas cor-de-rosa, o primeiro sempre doce, o segundo sem presença suficiente para contrariar as habilidades de retórica do Primeiro-ministro. Um deles, já não recordo qual, foi mesmo impelido pela necessidade de brindar o entrevistado com o mimo de lhe dizer que concordava com ele quanto ao encerramento de maternidades. Resultado: houve perguntas que ficaram por fazer-se e houve argumentos usados por Sócrates para pintar o cenário de rosa que passaram, sem qualquer embaraço. Destaco algumas passagens da entrevista.

Sócrates na SIC (2)

Sócrates justificou o record de desemprego com o crescimento da população activa. As lojas e fábricas que têm fechado todos os dias por todo o país e as empresas que se deslocalizaram nos últimos tempos escaparam ao Portugal retratado por Sócrates. Os entrevistadores fizeram-lhe o favor de não focar aspecto tão incómodo quanto despropositado. Da relação entre a quebra do poder de compra dos portugueses e o record nos números do desemprego também ninguém ouviu falar.

Sócrates na SIC (3)

Sócrates sustentou que a despesa pública vai continuar a descer até 2009 sem quaisquer desorçamentação dos serviços públicos e sem manobras de cosmética. Um dos jornalistas sondou a questão da artificiosidade da afirmação por os novos hospitais EPE, empresas municipais, Estradas de Portugal, entre outras, terem deixado de contribuir para o défice por força da sua nova natureza jurídica e a conversa podia ter ido para aqui. O mesmo argumento poderia ser usado para o novo RJIES (Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior) que, ao prever a constituição destas instituições como fundações regidas pelo direito privado, observa o mesmo princípio de desorçamentação das EPE. Mas não. Sócrates reagiu com um veemente “não me venha com essa conversa” e quem estava a assistir intuiu o apertão no traseiro do entrevistador, que respondeu com um “não sou eu que o digo, são vários analistas”, em vez do “quem dirige a entrevista sou eu” que se impunha”, passando a correr para outra questão mais agradável para o conviva.

Sócrates na SIC (4)

Outro aspecto nesta questão “obsessão défice” que ficou por aflorar foi a sua comparação com a posição francesa. SARCOZY tem assumido publicamente que a França necessita de 5 anos para equilibrar o défice e cumprir o pacto de estabilidade e crescimento. Portugal, com uma situação incomparavelmente pior que a francesa a todos os níveis, insiste no défice e em ser um bom aluno, comprometendo a retoma e o emprego, dois dos sucessos de Sócrates, que mais ninguém vê.

Sócrates na SIC (5)

Quanto à reforma da Administração Pública, Sócrates utilizou o argumento qualidade dos serviços públicos para a sustentar. Não vi nenhum dos jornalistas questionar como é que um sistema que termina com os conceitos de carreira e de emprego público (com mais direitos, mas também com mais deveres) e que mantém dirigentes nomeados por critérios que não o mérito e que vão avaliar o mérito dos seus subordinados pode resultar em mais qualidade nos serviços prestados. Tão pouco vi o PM ser questionado sobre o impacto da “mobilidade especial” sobre o consumo, o emprego e as expectativas na economia, como fizemos aqui, nem quanto à transferência de serviços públicos para a esfera privada, que constitui apenas uma transferência entre rubricas da despesa e não uma sua redução.

Sócrates na SIC (6)

A única pergunta em que vi Sócrates espalhar-se ao comprido foi a que lhe foi feita relativamente aos erros nos exames nacionais. Foi qualquer coisa assim: “como é que explicaria tantos erros a uma criança de 10 anos?” A resposta de Sócrates, que sempre houve erros e que sempre haverá erros porque os erros são normais, apenas surpreenderá quem não identifique o modelo de avaliação do mérito do actual Governo: a equipa responsável pelos exames nacionais é composta por nomeados políticos e o mérito é óptimo, mas para os outros. Os boys e girls já têm o mérito de ser do partido.

Sócrates na SIC (7)

Finalmente, falou-se do investimento público e do livro branco que prescreve ainda mais precariedade nas relações laborais no país campeão da precariedade. José Sócrates foi vago nas duas matérias e, com a autoridade ganha sobre os dois intrépidos entrevistadores ao longo de toda a entrevista, limitou-se a remeter as questões para a agenda do Governo, que só ao Governo diz respeito. Afinal, o segredo é a alma do negócio e gran mestre do improviso.

Novo crack para o SLB

É hoje notícia de capa, em todos os desportivos, a transferência de Simão Sabrosa para o Atlético de Madrid, pelo que o seu lugar fica à espera de um novo craque que o substitua. Imitando o segundo maior clube do mundo, fomos à procura de
novos talentos no youtube, desta vez para o maior do mundo, o Benfica. Bingo! Descobrimos um potencial candidato que, para além de um lugar quase indiscutível no onze principal, poderá ainda disputar o lugar com a águia Vitória, caso esta se renda também aos milhões oferecidos por um qualquer clube europeu. Desconhecemos o nome do craque.

O Puto Maravilha

Foi notícia, por estes dias, a contratação por parte daquele que é o segundo maior clube do mundo, logo a seguir ao nosso Benfica, o Manchester United, de um puto de 9 anos através de um video do youtube. Fomos à procura do video, ele aqui está. Rhain Davis é o nome do puto maravilha.